CAP. I

AS TRÊS REVELAÇÕES DE DEUS AOS HOMENS

          1a-veio através de Moisés.

          2a-veio através de Jesus.

          3a-veio através do Espiritismo.

MOISÉS

          Seu nome é de origem egípcia. Seu povo porem eram os hebreus que foram nesse tempo escravo dos egípcios.

          Moisés _quer dizer " Salvo das águas"

 

          Moisés foi encontrado recém_nascido, em um cesto às margens do rio Nilo.

          Quem o encontrou, foi a filha do Faraó, Tomando-o nos braços, levou-o ao Palácio, onde o criou como filho, chamando-o Moisés.

 

          Predestinado por Deus, tornou-se o líder que levaria o povo hebreu tão sofrido para a terra prometida (A PALESTINA)

          Ocorreram nessa odisséia inúmeros acontecimentos. As pragas do Egito, a passagem do Mar Vermelho, o maná do Céu, a fonte milagrosa, e outros que aconteceram por muitos anos na travessia de Moisés e seu povo, rumo a terra prometida por Deus.

 

          O acontecimento mais importante porém, deu-se aos pés do Monte Sinai. Já era tempo de terem um código de leis morais que os distinguisse. Moisés deu ordem para que se reunissem em grupos, aos pés da Montanha; depois subiu até o cimo e recebeu de Deus, o DECÁLAGO. (10 leis que se constituem nos 10 mandamentos).

 

AS LEIS

          1_AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS.

          2_NÃO TOMAR SEU SANTO NOME EM VÃO.

          3_SANTIFICAR O DIA DE SÁBADO (7o_dia)

          4_HONRARÁS TEU PAI E TUA MÃE.

          5_NÃO MATARÁS.

          6_NÃO FORNICARÁS.

          7_NÃO FURTARTÁRAS.

          8_NÃO DIRÁS FALSO TESTEMUNHO.

          9_NÃO DESEJARAS A MULHER DE TEU PRÓXIMO.

          10_NÃO COBIÇARÁS AS COISAS ALHEIAS.

          Moisés é aquele que nascido no Egito de pais hebreus, liberta seu povo da escravidão do Egito. Recebe o Decálogo (leis de Deus), conduz os israelitas, através do deserto, para as terras da Palestina, sem ele mesmo entrar.

          Foi legislador profeta, homem de Deus.

          Para o Judaísmo posterior, Moisés é a figura principal da história da salvação. (Dicionário Enciclopédico da Bíblia).

          Segundo o Evangelho espirita (comentários de Kardec) há na lei mosaica duas partes distintas: a lei de Deus promulgada no Monte Sinai e a lei civil e disciplinar, estabelecida por Moisés, uma é invariável; outra, apropriada aos costumes e ao caráter do povo modificando-se com o tempo.

 

JESUS CRISTO

          Todos os antigos profetas falaram e anunciaram Jesus.

          Ele disse: " Não julgueis que venho destruir a lei, ou os profetas.... pois em verdade vos afirmo que enquanto não passar o Céu e a Terra, não passará da lei um só i, ou um só til, sem que tudo seja cumprido."(Mateus, v. 17 a 18.)

          Allan Kardec comenta:

          _Com o Cristo a lei não foi destruída. Jesus veio dar-lhe cumprimento, isto é, desenvolve-la, dar-lhe o verdadeiro sentido e afeiçoa-la ao grau de desenvolvimento humano; por isso nela se encontra o princípio dos deveres para com Deus e o próximo que são a base de sua doutrina, reduzindo a estas palavras: " Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo".

          "Esta é a lei e os Profetas", Jesus veio ensinar aos homens, que a verdadeira vida, não esta na Terra, mas no reino do Céu. Veio ensinar-lhes o caminho que a ela conduz.

          Entretanto não disse tudo: deixou o germe da verdade que ele mesmo o declara que ainda não podiam ainda ser compreendidas; falou de tudo, mas em termos velados, porque para entender o sentido oculto, daquelas palavras, era preciso que idéias novas e novos conhecimentos, viessem dar-nos a chave; e estas idéias não podiam vir antes de certo grau de maturidade do espírito humano. A ciência deveria contribuir poderosamente para o seu nascimento e desenvolvimento; logo era necessário dar tempo a que a ciência progredisse.

          Compreender e Sentir, eis o Importante.

 

          Destacamos da vida de Jesus, alguns momentos, que trazem um ensinamento profundamente oportuno para a humanidade.

          Já na sua infância, desejoso de ensinar como mestre foi encontrado por sua mãe Maria, no templo de Jerusalém, junto aos doutores e sábios da época. Todos o ouviam e ficaram admirados com sua sabedoria. Falava em sua comunhão com Deus com uma eloquência que nunca fora visto e ouvido.

          Conhecia a ciência da espiritualidade e a ciência da Terra. Falava das coisas grandes e pequenas. Do Macro e do Micro. Do Céu e dos Astros.

          Das múltiplas moradas do Senhor e das pequeninas coisas, no formato e na visibilidade e tão potentes na essência.

          Falava das artes do belo, da natureza, das plantas, do mar, das aves e do AMOR.

          Do amor das almas e dos seres viventes.

          Do AMOR de DEUS pela suas Criaturas.

          E diziam os doutores da lei: "de onde vem este menino?... Quem são seus Pais?....Que escolas cursou, para ter tanto entendimento e tanto saber?"

 

SERMÃO DO MONTE

Humberto de Campos (irmão X) Psicografado por Francisco C. Xavier.

          Jesus e seus discípulos eram muito visados pela multidão. Eram doentes, desalentados e tristes. Desejavam estes, explicações sobre o Evangelho do Reino, de modo a trabalharem com mais acerto na observância dos ensinamentos do Cristo.

          _Que conseguiria o Evangelho do Reino, com esses aleijados e mendigos? pensou Levi, o discípulo (Mateus)

          Jesus falou com bondade:

          _No entanto, Levi, precisamos amar e aceitar a preciosa colaboração dos vencidos do mundo!...A Boa Nova, há de ser a mensagem divina para eles, que são os tristes e deserdados da imensa família humana! Os vencedores da terra, não necessitam de boas noticias. Nas derrotas da sorte, as criaturas, ouvem mais alto a voz de Deus. Buscando os oprimidos, os aflitos, os caluniados, os carentes de justiça, sentimo-los tão unidos ao Céu nas suas esperanças, que reconhecemos na coragem tranqüila que revelam, um sublime reflexo da presença de Nosso Pai em seus espíritos. Já observaste algum vencedor do mundo com mais alta preocupação do que a de defender o fruto de sua vitória material? Quem governa o mundo é Deus, e o amor não age com inquietação. Até que a esponja do tempo absorva as imperfeições terrestres, através de séculos de experiências necessárias, os triunfadores do mundo são pobres seres que caminham por tenebrosos abismos. É imprescindível, pois atentemos na alma branda e humilde dos vencidos. Para os seus corações Deus carrega bênçãos de infinita bondade. Esses quebraram os elos mais fortes que os acorrentavam às ilusões e marcham para o infinito do amor e da sabedoria. O leito de dor, a exclusão de toda as facilidades da vida, a incompreensão dos mais amados, as chagas e as cicatrizes do espírito, são luzes que Deus ascende na noite sombria das criaturas. Levi, é necessário amemos intensamente os desafortunados do mundo. Suas almas são a terra fecunda pelo adubo das lágrimas e das esperanças mais ardentes, onde as sementes do Evangelho desabrocharão para a luz da vida. Eles saíram das convenções nefastas e dos enganos do caminho terrestres e bendizem o Nosso Pai, como sentenciados que experimentassem, no primeiro dia de liberdade, o clarão reconfortante do Sol amigo e radioso que os seus corações haviam perdido. E é também sobre os vencidos da sorte, sobre os que suspiram por um ideal mais santo e mais puro, do que as vitórias fáceis da Terra, que o Evangelho, assentará as suas bases divinas.


          O crepúsculo descia num deslumbramento de ouro e brisas cariciadas por Deus.

          Ao longo de toda encosta, acotovelava-se a multidão, afim de ouvir a palavra do Senhor. Eram velhinhos trêmulos, lavradores simples, mulheres do povo com seus filhos maltrapilhos e doentes. Deixando perceber que se dirigia aos vencidos e sofredores do mundo inteiro, e esclarecendo o espírito de Levi que representava a aristocracia intelectual, pela primeira vez pregou as bem-aventuradas bênçãos Celestiais. Sua voz caia como bálsamo eterno, sobre os corações desditosos.

          _"Bem-aventurados os pobres e aflitos (escravos).

          _Bem-aventurados os sedentos de justiça e misericórdia (degredados).

          _Bem-aventurados os pacíficos e os simples de coração (Índios)" .

          Quando Jesus terminou a sua alocução, algumas estrelas já brilhavam no firmamento. Levi sentiu que, naquele crepúsculo inolvidável uma emoção diferente lhe dominava a alma. Havia compreendido os que abandonam as ilusões do mundo para se elevarem a Deus. No dia seguinte o ex-publicano, abriu suas portas ,

          A todos os convivas daquele crepúsculo memorável. Jesus participou da festa, partiu o pão e se alegrou com eles.

Enternecido, disse:
          _" Levi, meu coração se rejubila hoje contigo, porque são também BEM-AVENTURADOS todos os que ouvem e compreendem a palavra de DEUS."

 


A LIÇÃO A NICODEMOS

(Irmão X)

 

          Jesus nunca perdeu o ensejo de esclarecer as situações mais difíceis, com a luz da verdade.

          Grande numero de doutores, não ocultava seu descontentamento, porque apesar de suas atividades derrotistas, continuavam as ações generosas de Jesus, beneficiando os sofredores. É que o profeta não se deixava seduzir pelas grandes promessas que lhe faziam com referencia ao seu futuro material. Apesar de magnânimo para com as faltas alheias, combatia o mal com tal intenso ardor, que logo se fazia objeto de hostilidade para todas as intenções inconfessáveis. Todavia, em embargo das distensões naturais que precedem estabelecimento definitivo das idéias novas, alguns espíritos acompanhavam o messias, tomados de vivo interesse pelos seus elevados princípios.

          Entre estes figurava Nicodemus, fariseu notável pelo coração bem formado e pelos dotes de inteligência.

          Assim em uma noite de grandes preocupações e longos raciocínio procurou a Jesus, em particular, seduzido pelas suas ações e grandeza de sua doutrina salvadora.

          O Messias recebeu a visita, com sua bondade costumeira. Após a saudação, revelando ânsia de conhecimento, Nicodemus dirigiu-se-lhe respeitoso.

          _Mestre, bem sabemos que vindes de Deus, pois somente com a assistência divina poderíeis realizar o que tendes efetuado, mostrando o sinal do Céu. Tenho empregado a minha existência em interpretar a lei, mas desejava recebera vossa palavra sobre os recursos de que deverei lançar mão para conhecer o Reino de Deus.

          O Mestre sorriu bondosamente e esclareceu:

          _Primeiro que tudo, Nicodemus , não basta que tenhas vivido a interpretar a lei, antes de raciocinar sobre as suas disposições, deverias Ter-lhes sentido os textos. Mas em verdade devo dizer-te que ninguém conhecerá o Reino do Céu se não nascer de novo.

  •           RABI= MESTRE.
  •           RABONI= GRANDE SENHOR.
  •           TITULOS HONRROSO EM USO.

          Disse Nicodemus:

          _Como pode um homem nascer de novo, sendo velho? Interrogou o fariseu altamente surpreendido. Poderá por ventura regressar ao ventre de sua mãe ?

          O Messias, consciente da gravidade do assunto acrescentou:
          _Em verdade, reafirmo-te ser indispensável que o homem nasça e renasça , para conhecer plenamente o reino da Luz.

          _Entretanto, como pode se ser isso? Perguntou Nicodemus perturbado.

          _És Mestre em Israel, e ignoras estas coisas?, inquiriu Jesus, como que surpreendido. É natural que cada um somente testifique daquilo que saiba; porém precisamos considerar que tu ensinas. Apesar disso , não aceitas os nossos testemunhos. Se falando eu das coisas terrenas, sentes dificuldades em compreende-las com o teu raciocínio sobre a lei, como poderás aceitar as minhas afirmativas quando eu disser das coisas celestiais? Seria loucura, destinar os alimentos apropriados a um velho para o organismo frágil de uma criança.

          Extremamente confundido, retirou-se o fariseu.

          _Porque que tamanha admiração, perguntou-lhes Jesus? As árvores não renascem depois de podadas? Com respeito ao homem o processo é diferente, mas o espírito de renovação é sempre o mesmo. O corpo é uma veste. O homem é o seu dono. Toda roupagem material acaba rota, porem, o homem que é o filho de Deus, encontra sempre em seu amor os elementos necessários à mudança do vestuário. A morte do corpo é essa mudança indispensável, porque a alma caminhará sempre, através de outras experiências, até que consiga a imprescindível provisão de luz para a estrada definitiva no Reino de Deus, com toda perfeição conquistada ao longo dos rudes caminhos.

          O discípulo perguntou:

          _Mestre, já que o corpo é como uma veste material das almas, porque não somos todos iguais no mundo? Vejo belos jovens junto de aleijados e paralíticos.

          _Acaso não tenho ensinado, disse Jesus, que tem de chorar todo aquele que se transforma em instrumento de escândalo? Cada alma conduz consigo mesma o inferno ou o céu que edificou no âmago d a consciência. Seria justo, conceder-se uma Segunda veste mais perfeita e mais bela ao espírito rebelde que estragou a primeira? Que diríamos de sabedoria do Pai celestial, se facultasse as possibilidades mais preciosas aos que a utilizaram na véspera para o roubo, o assassínio, a destruição? Os que abusaram da túnica da riqueza, vestirão depois a da pobreza, com as mãos que feriram podem vir a ser cortadas.

          _Senhor, compreendo agoira o mecanismo do resgate, murmurou Tiago externando alegria do seu entendimento. Mas observo que deste modo o mundo, precisará sempre do clima do escândalo e do sofrimento, desde que o devedor, para saldar o seu débito, não poderá faseei-lo sem que outro lhe tome o lugar com a mesma dívida.
O mestre aprendeu a amplitude da objeção e esclareceu:

          _Dentro da lei de Moisés, como se verifica o processo de redenção?

          Tiago meditou e respondeu:

          _Também na lei está escrito que o homem pagará " olho por olho, dente por dente".

          _Se assim pensar-mos, estaremos procedendo como Nicodemus, replicou Jesus. Como os demais, não raciocinemos e sim sintamos. Ponderemos de que o primeiro mandamento da lei é uma determinação de amor. Acima de tudo está o "Amar a Deus sobre todas as coisas, de todo o coração e de todo o entendimento" Como poderá alguém, amar o Pai, aborrecendo-lhe a obra/ Todas as criaturas investigam as revelações do Céu com o egoísmo que lhes é próprios. E, entretanto, coloco o amor acima da justiça dos homens, e tenho ensinado que só ele, O AMOR, cobre a multidão de pecados. Se nos prendermos a lei de talião, somos obrigados a reconhecer que onde existe um assassino haverá, mais tarde, um homem que necessita ser assassinado; com a lei do AMOR, porem, compreendemos que o verdugo e a vitima são dois irmãos, filhos do mesmo Pai. Basta que ambos sintam isso para que a fraternidade afaste os fantasmas do escândalo e do sofrimento.

          Os discípulos estavam maravilhados. Aquela lição profunda, esclarecia-os para sempre.

          Tiago sugeriu a Jesus que proclamasse aquelas verdades no dia seguinte.

          Disse Jesus:
          _Será que não compreendeste Tiago? pois se um doutor da lei saiu daqui, sem que eu pudesse explicar toda a verdade, como queres que eu proceda de contrário para com a compreensão simplista do povo? Alguém constrói uma casa iniciando pelo teto o trabalho? Além disso, mandarei mais tarde o CONSOLADOR, a fim de esclarecer e dilatar os meus ensinos.

          Impressionados, calaram-se os discípulos. A lição a Nicodemus estava dada. A lei da REENCARNAÇÃO estava proclamada para sempre no Evangelho do Reino.

          Observação: Em missionários da Luz, de André Luiz, diz que reencarnação, significa recomeço nos processos de volução ou de retificação.

          Recomeço, significa:-" Recapitulação" ou "volta ao Princípio" Assim pois, ao regressar a carne, é indispensável recapitular todas as experiências vividas, no longo drama de nosso aperfeiçoamento.

 

TERCEIRA REVELAÇÃO - O ESPÍRITISMO

(EVANGELHO SEGUNDO O ESPÍRITISMO)

O CONSOLADOR, PROMETIDO POR JESUS....

          O espiritismo é a ciência que, com provas irrecusáveis, vem revelar aos homens a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo corporal.

          E no-lo apresenta, não como uma coisa sobrenatural, mas ao contrário, como uma das forças vivas da natureza, agindo incessantemente, como origem de uma infinidade de fenômenos até agoira incompreensíveis e relegados por isso mesmo, ao domínio do fantástico e do maravilhoso. A estas relações Jesus Cristo faz alusão em diversas circunstâncias. Por isso, muitas das coisas que disse ou são ininteligíveis ou falsamente interpretadas.

          O Espiritismo é a chave com a qual tudo facilmente se explica.

          A lei do antigo testamento está personificada em Moisés, e a do Novo Testamento em Cristo.

          O Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus mas não está personificada em ninguém, porque é produto do ensino dado não por um homem, mas pelos Espíritos que são as Vozes do Céu, em todas as partes da Terra e por inumerável multidão de intermediários; é de certo modo, um ser coletivo, que compreendem um conjunto de seres do mundo espiritual, cada um dos quais vem trazer aos homens o tributo de suas luzes, a fim de os fazer conhecer aquele mundo e a sorte que os espera.

          Assim como disse o Cristo, "Não vim destruir a lei mas dar-lhe cumprimento" também diz o Espiritismo: "não venho destruir a lei Cristã, mas cumpri-la".

          Nada ensina o contrário do que Cristo ensinou, antes desenvolve, completa, explica em termos claros para todos, tudo quanto foi dito sob forma alegórica; em cumprir nos termos preditos, aquilo que o Cristo anunciou e preparar o cumprimento das coisas futuras.

          É pois obra do Cristo, que a preside, como preside à regeneração que se opera e prepara o Reino de Deus sobre a Terra, como igualmente o anunciou. Como diz o Evangelho, a Terceira Revelação , não está personificada num ensino dado por um homem, mas pelos Espíritos, que são as Vozes do Céu, em todas as partes da Terra. Mas para tanto, tornou-se necessário a presença de um medianeiro e uma equipe de colaboradores, previamente estabelecida na Espiritualidade.

          Assim foi que com saber e bondade sob a Regência do Bom Senso, reencarnou na Terra, Hppolyte Léon Denizard Rivail ou Allan Kardec, como melhor seria conhecido.

          Foi Allan Kardec, o codificador da doutrina dos Espíritos.

          (Codificador= Reduzir em Código_Reunir em Código _Coligir dados)

          A ele coube a tarefa de organizar e ordenar as perguntas e distribuir didaticamente as matérias encerradas nos textos e redigir os comentários às respostas dos Espíritos. Todo esse trabalho prima pela precisão em que intitula capítulo e sub capítulo, pelas observações, pelas anotações, pelas ilucidações complementares, pelas paráfrases e conclusões sempre profundas e incisivas, assim como a sua notável " Introdução"

          Tudo isto, atesta a grande cultura de Kardec, o carinho a diligencia e sobretudo o Bom Senso com que se portou no afanoso trabalho que se comprometera a publicar: Fez o que ninguém houvera feito.

          Foi o primeiro a formar com os fatos observados UM CORPO DE DOUTRINA METÓDICA E REGULAR.

          Não se trata pois de um simples compilador.

          Do Reformador de Abril de 1957_Irmão X fala sobre o primeiro capítulo do LIVRO DOS ESPIRITOS.

          Allan Kardec, o respeitável professor Denizard Rivail, já havia organizado extensa porção de páginas reveladoras que lhe constituiriam " O LIVRO DOS ESPIRITOS"

          O devotado observador, aliara inteligência e carinho, método e bom senso na formação da primeira obra que lançaria os fundamentos da Doutrina Espirita. Não desconhecia que a sobrevivência da alma era tema importante no século. Entretanto apontamentos e experimentações, em torno do assunto, alinhavam-se desordenados e nebulosos. Os fenômenos do intercâmbio pareciam ameaçados pela hipertrofia de espectaculosidade. Saindo de humilde vilarejo da América do Norte, a comunicação com os Espíritos desencarnados atingira os mais cultos ambientes, da Europa, originando infrutífero sensacionalismo.

          Era necessário que surgisse alguém com bastante coragem para extrair do labirinto a linha básica da filosofia consoladora que os fatos consubstanciavam, irrefutáveis e abundantes.

          Advertido por amigos da Espiritualidade de que a ele se atribuía, em nome do Senhor, a elevada missão de codificar os princípios espiritas, destinados à mais ampla reforma religiosa, pusera mãos ao trabalho, sem cogitar de sacrifícios. E adotando o sistema de perguntas e respostas, conseguira vasta colheita de esclarecimento e de luz. Guardava consigo preciosas anotações acerca da constituição geral do Universo, surpreendentes informes sobre a vida de além túmulo e belas asserções definindo as leis morais que orientam a humanidade. O material esparso eqüivalia quase que praticamente a um livro pronto. Contudo, era preciso estabelecer um ponto de partida. O primeiro compendio do Espiritismo, endereçado ao presente e ao futuro, não podoa prescindir de sólidos alicerces .

          E, debruçado sobre a mesa de trabalho, em nevada noite de inverno de 1856, o Codificador interrogava a si mesmo:
          _Por onde começar? Pelas conclusões cientificas ou pelas indagações filosóficas? Seria justo desligar a Doutrina, que vinha consagrar o antigo ensinamento do Cristo, de todo e qualquer apoio da fé, na construção das bases que lhe diziam respeito? O conhecimento humano!....pensava ele, não se modificava o conhecimento todos os dias?.... As ilações filosófico-cientificas não eram as mesmas em todos os séculos?... E valeria escravizar o Espiritismo à exaltação do cérebro, em prejuízo do sentimento? Atormentado, viu mentalmente os homens de seu tempo e de sua pátria, extraviados na sombra do materialismo demolidor....

          A grande revolução que pretendera entronizar os direitos do Homem, ainda estava presente no ar que ele respirava Desde 2 de dezembro de 1851, o governo de Luiz Napoleão, que retomava as linhas do Império, permitia prisões em massa, com deliberada perseguição aos elementos de todas as classes sociais que não aplaudissem os planos do poder. Muitos membros da Assembléia haviam sofrido banimento e mais de vinte mil franceses jaziam deportado, muitos deles sem qualquer razão justa. Homens dignos eram enviados a regiões inóspitas. O pensamento do Missionário foi mais longe.... Recordou-se de Voltaire e Rousseau, admiráveis condutores da inteligência , mas também precursores da ironia e do terror. Lembrou Condorcet, o filósofo e matemático, envenenando-se para escapar à guilhotina, Marat, o médico e publicista, assassinado num banho de sangue, quando instigava a matança e a destruição.

          Valeria a cultura da inteligência, só por si, quando, a par dos bens que espalhava, podia desmandar-se em sarcasmo arrasador e loucura furiosa? Com o respeito que ele consagrava incondicionalmente à Ciência e a Filosofia, Kardec orou com todo o seu coração, suplicando a inspiração do Alto. Erguia-se lhe a prece comovente, quando raios de Amor lhe envolveram o espirito inquieto e ele ouviu, na acústica da própria alma, vigoroso apelo íntimo:

          _" Não menosprezes a fé!.... Não comeces a obra redentora sem a benção Divina!...."

          E o Codificador, nimbado de luz, com a emotividade jubilosa de quem por fim encontrara solução a terrível problema, longamente sofrido, consagrou o primeiro capítulo de" O LIVRO DOS ESPÍRITOS " à existência de DEUS.

          (Mensagem recebida pelo médium Francisco C. Xavier)

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