MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO

Cap. II do Evangelho Seg. o Espiritismo.

Vida Futura- Realeza de Jesus- Pontos de vista- Instrução dos Espíritos.

          "Tornou pois a entrar Pilatos no Pretório e chamou Jesus e disse-lhe: Tu és rei dos Judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes de ti mesmo, ou foram outros que te disseram de min? Disse Pilatos: Porventura sou eu Judeu? A tua nação e os pontífices são os que te entregaram nas minhas mãos; que fizeste tu? Respondeu Jesus: o meu reino não é deste mundo; se meu reino fosse deste mundo, certo que os meus ministros haviam de pelejar para que eu não fosse entregue aos Judeus, mas agora não é daqui o meu Reino. Disse-lhe então Pilatos, logo tu és Rei? Respondeu Jesus: Tu o dizes que eu sou Rei.

          Eu para isso nasci, e vim ao mundo, para dar testemunho da verdade; todo que é da verdade; ouve minha voz" (João XVIII: -3-37)

 

VIDA FUTURA

          Comentário de Allan Kardec:

          Com estas palavras, designa Jesus claramente a vida futura, para onde irá a humanidade, devendo ser isto, o objeto das principais preocupações do homem na Terra. Todas as suas máximas se referem a este grande principio. Sem a vida futura, os preceitos da moral Cristã, não teriam razão de ser. Esta lei (dogma) pode ser considerado como o eixo do ensino de Jesus.

          Tinham os Judeus idéias muito insertas sobre a vida futura. Acreditavam nos anjos considerados como seres privilegiados da Criação, mas ignoravam que um dia os homens pudessem ser anjos e participar da felicidade destes. Segundo criam, a observância da lei de Deus era recompensada com os bens terrenos, com a supremacia de sua nação. E as vitórias alcançadas sobre os inimigos.

          As calamidades públicas e as derrotas, são castigos de sua desobediência. Outra coisa não poderia Moisés dizer a um povo pastor e ignorante.

          Mais tarde veio Jesus revelando-lhes que ha outro modo, na qual a justiça de Deus segue o seu curso: É mundo prometido aos que observam os mandamentos de Deus e onde os homens bons encontraram sua recompensa; Esse é o reino de Jesus, no qual estará em toda a sua gloria e para onde regressará ao deixar a Terra.

          Não obstante, acomodando o seu ensino ao estado mental dos homens da época, Jesus não julgou dever lhes dar completa luz, que os deslumbraria sem os esclarecer.

          Limitou-se em anunciar a vida futura, com uma lei da natureza, a que ninguém podia fugir.

          Todo Cristão, crê na vida futura. Mas a idéia que muitos fazem dela, é vaga, incompleta e, por isso mesmo, falsa sob vários aspectos. Neste ponto como em muitos outros, o Espiritismo veio completar o ensino do Cristo, quando os homens atingem as condições de compreender a verdade.

          Com o Espiritismo já não é a vida futura um artigo de fé, nem uma hipótese; é uma realidade, demonstrada pêlos fatos, porque são testemunhas oculares os que as descrevem em todas as suas fazes e peripécias, de tal modo que não só a dúvida é possível, como ainda a mais vulgar inteligência pode fazer uma idéia de seu verdadeiro aspecto, como explicam os Espíritos as condições de existência feliz ou desgraçada dos que nelas se encontram.

 

REALEZA DE JESUS

          Compreende-se que o reinado de Jesus, não é deste mundo. Ele é proclamado Rei dos Reis, mesmo aqui na Terra. Esse Reino é nascido do mérito pessoal, consagrado pela posteridade, tem preponderância muito superior a que supõe uma coroa da Terra. Um é imperecível, enquanto o outro é joguete das vicissitudes; o primeiro é sempre bendito pelas gerações futuras, enquanto o outro por vezes é maldito. O Reinado Terrestre, acaba com a morte.

          O Reinado Moral governa ainda, e sobretudo, após a morte. Sob este conceito, não é Jesus muito mais poderoso que os potentados da Terra? Razão pois tinha para dizer a Pilatos: "Meu Reino não é deste mundo"

PONTOS DE VISTA

          A idéia clara e precisa que fazemos da vida futura da uma fé indestrutível no porvir e tem imensas conseqüências sobre a moralização dos homens, porque muda complemente O PONTO DE VISTA DO QUAL SE ENCARA A VIDA TERRENA.

          Para aqueles que compreendem, a vida corporal é simples passagem de curta estação numa região ingrata. As tribulações da vida, são meros incidentes que sofre com paciência, porque as sabe de pouca duração e que devem ser seguidas de um estado mais feliz. A morte nada tem de horrível. Já não é uma porta do nada, mas da liberdade, que abre ao desterrado a entrada da morada da felicidade e da paz.

          Considerando o que nos diz André Luiz em seu livro, "Nosso Lar". Este lugar na Espiritualidade, é morada de Espíritos muito elevados na moral e portanto merecedores de habitar esse local de belezas e paz. Ele situa-se assinalada no desenho apresentado como uma estrela, que está localizada na terceira esfera acima da crosta, sobre a cidade do Rio de Janeiro, em faixa que pode ser definida como a periferia do Umbral (Lugar de expiação e sofrimento). Nota: Ler Nosso Lar.

          A Terra pode ser também um bom lugar para se viver, desde que se saiba senti-la como uma das moradas do Pai. Ela é bela pela sua natureza, sempre pródiga nas suas flores pássaros, animais e insetos vários. É belo o seu Céu pontilhado de estrelas, que são os múltiplos Sois que se distanciam, em muitas constelações e galáxias.

          A natureza nos serve e como bem diz Pitágoras o filósofo, " E tu que penetras-te, homem sábio e ditoso, a paz seja contigo".

          Do que resulta para os bons, uma calma de espírito que adoça a sua amargura. Tudo a sua volta, tudo aos seus olhos adquire enorme importância. Passa a olhar a vida presente, sob o ponto de vista da vida futura: como as estrelas no firmamento, a humanidade se perde na imensidade; então se apercebe que grandes e pequenas coisas se confundem, como as formigas sobre o torrão de barro; que proletários e potentados são da mesma estatura; e se compadece desses seres efêmeros, que tanto sofrem por conquistar um lugar que eleva tão pouco a que por tão pouco conservam. Por isso a importância dada aos bens terrenos está sempre na razão inversa da fé na vida futura. Das coisas da Terra, o homem deve buscar o seu bem estar, porque mesmo sabendo que permanecerá pouco tempo na Terra é licito que procure estar o menos mal possível. Não há ninguém que, encontrando um espinho debaixo do pé, não o tire para não se ferir. Assim em busca de seu progresso, de sua melhoria o homem é impulsionado pelo instinto de progresso e de conservação que está nas leis da natureza. Trabalha pois, por gosto, por necessidade, e por dever e assim realiza o designo da Providencia, que o colocou na Terra com esse propósito. Deus não condena os prazeres da Terra mas o abuso dos mesmos em prejuízo das coisas da alma.

          Aquele que se identifica com a vida futura, assemelha-se ao homem rico, que perde uma pequena quantia sem emoção; Já aquele que concentra seus pensamentos sobre a vida terrena, é como o pobre que perde tudo quanto possui e se desespera. O Espiritismo expande o pensamento e rasga novos horizontes, em lugar dessa visão estreita e mesquinha que reduz a vida ao presente, que faz do instante que passa sobre a Terra o único e frágil eixo de um futuro eterno; ensina que está vida, é simples elo do harmonioso conjunto e da grandiosidade do Criador. Mostra a solidariedade que reúne todas as existências de um mesmo ser, todos os seres de um mesmo mundo, e os seres de todos os mundos. Dá também uma base e uma razão de ser à Fraternidade Universal, enquanto que a doutrina da criação da alma no momento do nascimento de cada corpo, faz que todos os seres sejam estranhos uns aos outros.

          Do ponto de vista de que no Evangelho, está "Na casa do Pai há muitas moradas", temos à acrescentar que no Universo imenso dos Sistemas Planetários como o nosso que se compõe de um Sol e nove Planetas com inúmeros satélites; podemos pensar em outros Planetas habitados. Assim como deve existir infinidade de planos espirituais à exemplo de Nosso Lar, como descreve André Luiz. Tudo isso, representa a "Casa do Pai". E ainda considerando a existência de inumeráveis Galáxias espalhadas na enormidade do Cosmo. Por isso, cremos em vós Senhor, porque tudo revela vosso poder e vossa bondade.

          A harmonia do Universo demostra uma sabedoria, prudência e precisão, que ultrapassa todas as faculdades humanas. O nome de um ser soberanamente grande e sábio acha-se escrito em todas as obras da criação, desde o minúsculo broto da mais tenra planta e do menor inseto, até os astros que se movem no espaço, em toda parte há prova de uma paternal solicitude.

          Cego é pois, aquele que desconhece a vossa obra, orgulhoso o que não vos glorifica e ingrato o que não vos rende graças.

          NOTA: Isto que ao tempo de Cristo, os homens não poderiam compreender e que por isso teve a sua revelação reservada para outros tempos (HOJE)

          INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

          Quem, melhor do que eu pode compreender a verdade destas palavras de nosso Senhor, " Meu Reino não é deste mundo"? O orgulho me perdeu na Terra, Quem compreenderia o nada dos reinos da Terra, Que me trouxe o Reino terrestre? Nada absolutamente nada; e para que a lição fosse mais terrível, nem sequer o conservei até o túmulo, Rainha era entre os Homens, Rainha supunha entrar no Reino do Céu; que ilusão. Que humilhação quando, em vez de ser recebida ali como soberana, vi acima de mim, e muito acima, bem alto, homens que supunha muito insignificante e que desprezava porquê não eram de sangue azul! Ho! então compreendi a esterilidade das honras e grandezas que, tão avidamente buscamos na Terra. Para preparar um lugar neste reino, são precisas abnegações e humildade, a caridade em toda a sua prática Celeste e a benevolência para com todos.

          Ninguém vos pergunta o que haveis sido, que posição ocupaste, mas que bens haveis feito, que lágrimas haveis enxugado. Ah! Jesus distes-te que teu Reino não era da Terra, porque é preciso amar para chegar até ao Céu.

          São os mais penosos caminhos da vida os que a ele conduzem; buscai pois, o caminho através de espinhos e abrolhos e não os entre flores. Os homens perseguem os bens terrenos como se pudessem conserva-los eternamente. Mas aqui, não há ilusões, logo percebem que se agarraram a uma sombra, desprezando os únicos bens sólidos e duradouros, os únicos que lhe servem na morada Celeste, cuja entrada lhes podem franquear. Tende piedade, daqueles que não ganharam o Reino do Céu. Ajudai-os com as vossas orações, porque a oração aproxima o homem do Altíssimo e é um elo que une a Terra ao Céu. ("Uma Rainha de França" - Havre 1863)

FIM

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