NÃO PODE VER O REINO DE DEUS SENÃO AQUELE QUE RENASCER DE NOVO

CP. IV DO EVANGELHO SEG.O ESPÍRITISMO

Ressurreição e Reencarnação.
A reencarnação fortalece os laços de família; a unicidade de existência os rompe.
Instrução dos Espíritos.
Limites da encarnação.
Necessidade da encarnação.

          "E veio Jesus para as partes de Cesárea de Felipe, e fez a seus discípulos esta pergunta, dizendo: Que dizem os homens quanto ao filho do homem? E eles responderam: Alguns dizem que sois João Batista! Outros Elias, outros que sois Jeremias ou alguns dos Profetas. Jesus lhes disse: E vós outros, quem dizeis que eu sou? Tomando a palavra, respondeu Simão Pedro: "TU ES O CRISTO FILHO DE DEUS VIVO" - E respondendo-lhe Jesus disse:- Bem aventurado és Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue que te revelaram isto, mas sim meu Pai que está no Céus.(Mateus XVI:13 e 17).

          E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: pois porque dizem os escribas, que importa vir ELIAS primeiro?
Mas ele respondendo-lhes disse:

          _ELIAS certamente há de vir e restabelecerá todas as coisas; digo-vos porem, que ELIAS já veio, e eles não o reconheceram, antes fizeram dele quanto quiseram. Assim também o filho do homem há de padecer às suas mãos.

          Então conheceram os discípulos que de João Batista é que lhes falara."(Mateus, XVII,10e13).
Sob o nome de Ressurreição, a Reencarnação fazia parte dos dogmas (leis) judaicos.

          Apenas os Saduceus, não acreditavam. Os Fariseus sim. Os Judeus mesmo assim, só tinham vagas e incompletas noções sobre o assunto.

          Acreditavam que os homens que houvesse vivido podia voltar a viver, mas sem saber explicar como. (vaga idéia da verdade).

Designavam com o vocábulo RESSURREIÇÃO, (Aparição) aquilo que judiciosamente o Espiritismo denomina REENCARNAÇÃO.

          A ciência demostra ser impossível viver um corpo morto, que perdeu toda a vitalidade de seus órgãos.

          A Reencarnação é portanto, a volta do Espírito a vida corporal, mas noutro corpo, para ele formado novamente.

          O vocábulo Ressurreição, pode ser aplicado a Lázaro, mas não a Elias.

          João, podia ser Elias reencarnado, mas não ressucitado.

          Foi o que Jesus disse a Nicodemus, notável Farizeu.

          " N a verdade, na verdade te digo que não verá o Reino de Deus, senão aquele que renascer de novo" e insistiu: Não te maravilhes de eu te dizer: Importa-vos outra vez (REENCARNAR) .

          "O que é nascido da carne, é carne; o que é nascido do Espírito é Espírito.

          O espírito, assopra onde quer; e tu ouves a sua voz mas não sabes donde ela vem, nem para onde vai. E verdade te digo; quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.

          Jesus faz aqui, perfeita distinção, entre o Espírito e o corpo. (ou Espírito e matéria) indicando claramente que o corpo provém apenas do corpo, e que o Espírito é independente.

(Nota de o Livro dos Espíritos)

          Deus criou os Espíritos simples e ignorantes, para que se processe o adiantamento moral e intelectual dos mesmos. É imperioso a sua união com a carne, através da reencarnação.

          Dá-se o encontro do Espírito com a matéria pôr essa ocasião e o ser volta ao mundo da forma material mais intensiva, para intelectualizar a matéria e fazer progredir o Espírito.

(NOTA- A água significa a matéria de que o corpo humano, possui 70%.)

          Quanto ainda, sobre o vocábulo água sabemos que os conhecimentos que os antigos tinham de ciências físicas eram incompletas; criam que a Terra, havia saído das águas. Consideravam a água como gerador absoluto símbolo da natureza. Assim diz-se no Gênese " O Espírito de Deus era levado sobre as águas. Que o firmamento seja feito no meio das águas; que na água que estão debaixo do céu se juntem num só lugar e que o elemento árido apareça; que as águas produzam animais viventes que nadem nas águas (NOTA- A vida inicia-se na água) Conclusão; Água e carne são elementos materiais para a formação do corpo, sendo que de água, possui 70%.

(NOTA- Alguns esclarecimentos sobre o profeta Elias no Dicionário Enciclopédico da Bíblia.)

          Os profetas eram varões que pôr vocação divina falavam em nome do Senhor, comunicando aos homens tudo o que ele lhes ordenava revelar. Assim viveu Elias, ao tempo do rei Acab.

          É conhecido na Bíblia, como o Campeão Intrépido do Senhor. A sua bibliografia tomou aspecto lendário.

-          Dizia " O zelo de tua causa me consome".

          _"Ardo de zelo, senhor, porque os filhos de Israel te esqueceram"

          A predição de sua volta, era muito viva entre os Judeus. Via-se na figura de Elias, um missionário na tarefa de servo de Deus e precursor do messias (Jesus) Essa predição confirmou-se em sua reencarnação como João Batista, e junto com Moisés é testemunha da transfiguração de Jesus no Monte Tabor.

NOTA IMPORTANTE.

          Parece que houve no Monte Tabor, além das materializações, algo mais eloqüente e instrutivo.

          Uma profecia no Tempo e no Espaço.... Porque juntaram-se ali as TRÊS REVELAÇÕES DE DEUS AOS HOMENS.

          MOISÉS com a primeira - (Decálogo)

          JESUS com a Segunda- (lei do amor e do perdão)

          ELIAS materializado no M. Tabor, e que viria restabelecer toda as coisas (Seg. Jesus) Reencarnando-se como medianeiro da terceira revelação de Deus aos homens. Nesta última Reencarnação, Elias que já fora João Batista, teria pôr nome Allan Kardec.

 

         A Reencarnação foi confirmada de modo formal, pôr Jesus e pêlos profetas. Negar a reencarnação é negar as palavras do Cristo. Ela é uma das leis da natureza. Só ela pode dizer ao homem de ONDE ELE VEM, PARA ONDE VAI E, E PORQUE ESTÁ NA TERRA. Justificando todas as anomalias e injustiças aparentes da vida.

          Prossegue Jesus:-" E desde os dias de João Batista até agoira, o reino dos Céus padece fo e os que fazem violência são os que o arrebatam- Porque todos os profetas e a lei até João profetizaram. E se o quereis bem compreender, Ele mesmo é o ELIAS que há de vir.

          O que tem ouvidos de ouvir, que ouça. MT. (XI,12 e 15).
          Deduzimos do Evangelho,que Jesus afirmou que João Batista foi Elias o antigo profeta e que viria a ser Kardec, o medianeiro da terceira Revelação, com a doutrina dos Espíritos (As vozes do Céu).

          E que significavam estas palavras: _"E desde os dias de João Batista, até agoira o Reino dos Céus padece força"

          Não sendo João senão Elias, Jesus fazia alusão ao tempo em que João viveu sob o nome de Elias.
Até agoira o reino dos Céus é tomado pela força, é outra alusão à violência da lei Mosaica, que ordenava o extermínio dos infiéis para conquistar a terra da promissão, paraíso dos Hebreus, enquanto que conforme Jesus o Céu se conquista pela Caridade e pelo AMOR. " quem tiver ouvidos, de ouvir que ouça".

PODE-SE ENTÃO EXPLICAR QUE OS LAÇOS DE FAMILIA SÃO FORTIFICADOS PELA REENCARNAÇÃO E PERTIDOS PELA UNICIDADE DE EXISTÊNCIAS.

          As famílias tanto na Terra são ou devem ser unidas pelo amor e afinidades. Assim é que vemos Avós, Pais, Filhos, Tios, Sobrinhos, e Primos. Os verdadeiros afetos da alma, são eternos.

          Os casais, tem seus filhos e procuram de toda forma educa-los e viverem unidos sob um ideal Cristão, com o devido respeito, um pelo outro, e o amor aos filhos, na forma de atende-los em suas necessidades e bons exemplos. Tudo de bom que for oferecido as crianças, pode ter certeza, que haverá um retorno em benefício dos próprios pais.

          É bem verdade que nem sempre é assim, pois vemos criaturas de evolução moral e intelectual, muito diferentes umas das outras. Casais que não cumprem, suas obrigações, seus compromissos, não só para com eles próprios como também para com os filhos e pais. Então os exemplos são os piores. Crianças mal educadas, que não respeitam a natureza, outros que põem fogo em florestas e vândalos que fazem destruição, enquanto poucos trabalham.
Tudo isso é causa que terá um efeito relativo ao merecimento de cada um ou coletivo Pois todo efeito é proveniente de uma causa.

          No espaço formam-se grupos afins, tanto de deficientes de educação, como de Espíritos amigos e de boa índole. Grupos de família, unidas pelo afeto, simpatias e semelhanças de inclinações. Esses Espíritos se buscam, sentindo-se felizes pôr estarem juntos; só a encarnação os separa momentaneamente, porque depois voltam a erraticidade e se reencontram, como amigos que regressam de uma viagem.

          Se uns estiverem encarnados e outros não nem pôr isso estarão menos unidos pelo pensamento; os que estão livres velam pêlos cativos na carne. Os mais adiantados procuram ajudar o progresso dos mais atrasados. Depois de cada existência, deram um passo no caminho da perfeição; cada vez menos presos à matéria.

 

         Falamos do afeto real da alma. Só são duradouras as afeições espirituais; as carnais se extinguem com as causas que as originou. Quanto as pessoas que se uniram pêlo móvel único do interesse nada são uma para a outra; a morte as separa sobre a Terra e no céu. A união e o afeto entre parentes são indícios de da simpatia anterior; pôr isso costuma-se dizer, falando de pessoas cujo caráter, gosto e inclinações não tem qualquer semelhança com os dos parentes, que não é da família. Deus permite nas famílias essas encarnações de espíritos antipáticos ou estranhos, cujo duplo objetivo é de servirem de prova para uns e de meio de progresso para outros. Melhoram os maus pouco a pouco ao contato dos bons. Seus caracteres tornam-se suáveis, os costumes mais puros as antipatia se desfazem. Assim se estabelece a fusão entre as varias categorias de espíritos. O temor de aumento indefinido do parentesco, pôr força da reencarnação, é egoísta e prova que não se sente um amor bastante grande para o estender a bom número de criaturas.

          Acaso um pai que tivesse muitos filhos, os amaria menos do que se tivesse apenas um? Tranqüilize-se os egoístas: esse temor é infundado.

          Pelo fato de um homem ter tido 10 encarnações, não se segue que no mundo dos espíritos haja de encontrar 10 mães 10 pais 10 esposas e número exagerado de filhos. Encontrará sempre os mesmos objetivos de seu afeto que os terão unidos na Terra e na espiritualidade.

          Conseqüência da Doutrina Anti- reencarnacionista que anula a pré- existência das almas. Sendo essas almas criadas ao mesmo tempo que o corpo, não existindo qualquer laço anterior, a filiação das famílias fica reduzida a simples filiação corporal, sem qualquer laço espiritual.

          Com a reencarnação, entretanto, antepassados e descendentes podem ser conhecidos, ter vividos juntos, terem se amado, encontrando-se reunidos mais tarde a fim de estreitarem os laços de simpatia. Quanto ao futuro, fixar a sorte em definitivo, significa cessação de progresso.

Com a reencarnação e o progresso, que é o seu corolário todos os que se amaram, encontram-se na terra e no espaço marchando juntos para Deus.

          Se alguns se desviam, retardam a sua marcha e sua felicidade; mas não perdem a esperança ajudados, animados e sustentados pêlos que se amam, sairão um dia do lodaçal onde caíram.

          Há solidariedade perpétua entre encarnados e desencarnados, do que resulta maior estreitamento dos laços afetivos.

          RESUMO

          Quatro alternativas se apresenta ao homem para o seu futuro além da morte:
          1-O nada, conforme a Doutrina Materialista
          2-A absorção do todo Universal, segundo a Doutrina Panteísta.
          3- A individualidade com fixação definitiva da sorte, segundo a Doutrina da Igreja.
          4- A progressão individual ilimitada segundo a Doutrina Espírita.

          Conforme as duas primeiras, os laços de família se rompem depois da morte e nenhuma esperança resta de se encontrarem novamente.

          Com a terceira, podem reencontrar-se, desde que estejam no mesmo meio o qual tanto pode ser o inferno, quanto o paraíso.

          Com a Quarta, a da pluralidade das existências, que é inseparável do progresso gradativo, há certeza na continuidade das relações entre os que se amaram. E é isso o que constitui a verdadeira família.

          A reencarnação não tem limites definidos; A medida que o Espírito se purifica, vai havendo menor necessidade de reencarnação.

          Há mundos mais adiantados, em que a matéria é menos compacta e num estágio mais elevado, o espírito vai se desmaterializando e acaba pôr se confundir com o perispírito.

          Conforme o mundo em que deve viver, o espírito toma envoltório adequado à natureza desse mundo. Com toda certeza, um envoltório mais belo, assim como a natureza desse mundo, deve ser mais perfeita e colorida. Pelo menos nos descreve André Luiz de nosso Lar, que é uma localidade espiritual magnífica. A necessidade da vida corpórea, é própria aos espíritos imperfeitos e culposos. A terra como Planeta de provas e expiações oferece campo de escola para esses espíritos. Mas para todos os Espíritos, a encarnação é apenas um estágio transitório e não definitivo.

PEQUENA ESTÓRIA

          Conta-se que ao tempo em que Jesus viajava com seus discípulos pelas planícies áridas do deserto, sentiram necessidade de encontrar abrigo e uma sombra amiga para um merecido descanso. Depois de atravessarem o escaldante deserto, a paisagem foi ficando mais amena e principiaram a avistar algumas árvores e campinas verdejantes, prenunciando a chegada a uma pequena vila. Já era tardinha e viram ao longe, um sitio encantador. Uma linda casinha, cercada de trepadeiras floridas, canteiros de frescas verduras, emoldurava aquela paisagem. Pelo caminho que serpenteava, chegaram afinal.

          Linda donzela, estava no portal, sentada em um banco rústico de pedra. Estava fiando o linho que colhera. Meiga e dócil recebeu-os com brandura, ofereceu-lhes a água pedida e convidou-os a que descansassem um pouco na sua modesta casa, onde vivia com sua mãe.

          Despediram-se os andarilhos de tão encantadora jovem, prosseguindo a caminhada que os levaria ao pequeno povoado.

          Avistaram então um homem ainda jovem, vestido como um camponês. Suas maneiras entretanto eram rústicas e maldosas, pois chicoteava um pobre burrico que pôr ser irracional não lhe atendia as solicitações. Desejava atrela-lo a uma carroça, mas o pobre, assustado cada vez que recebia uma chicotada, queria mesmo era fugir.

          Jesus penalizado, chegou e falou ao homem:

          _Irmão, porque maltratas o pobre animal? Sabes que eles choram para Deus, quando são maltratados? Se tiveres paciência com ele, chegarás ao que desejas, e passando sua mão bondosa sobre o lombo do animal, aquietou-o. Vês disse o Mestre, tratando o burrico com amor, terás um animal amigo.

          Mas o rústico jovem, pouco ligou aos conselhos e ainda rebelou-se contra Jesus e seus discípulo, chamando-os de intrometidos.

          Foram-se os peregrinos.

          Já haviam caminhado bastante e a lembrança de tão significativo acontecimento não deixavam quietude ao raciocínio de Simão Pedro, acostumado as elucidações de Jesus.

 

         Pedro quis saber do Mestre o que pensava sobre o assunto. Começou pôr dar a sua opinião própria.

          _Mestre como são diferentes as pessoas umas das outras, não é?

          _Viste aquela jovem da casinha singela?

          _Quanta bondade e quanta ternura. Linda e educada.

          _Já este moço da roça, tão deseducado e rebelde. Nos tratou com frieza e maldade. Com certeza a sorte de ambos está selada! Porque sempre nos dizes que " A cada um, segundo as suas obras" Acho que ela merece o melhor, ao passo que este homem merece o pior. Jesus fez pausa de alguns segundos e depois respondeu com sabedoria.

          _Pedro, acho que devemos casa-los. Sim, aquela jovem educada e gentil, com este moço deseducado e grosseiro.
          _O discípulo assustou-se e disse:

          _Senhor, como pode ser isso?

          _Aquela linda mocinha não merece isso. Seria um pecado, casa-la com esse homem.

          _Ela pode não merecer Pedro, mas poderá torna-lo melhor, ajuda-lo na sua ignorância e na sua evolução espiritual.

          _Seria o bom ajudando o mau.

          Pedro parou para pensar, no acontecido e meditar sobre as elucidações do Mestre Jesus.

NOTA- Segundo a lei de Justiçado do " A cada um segundo as suas obras", nos parece contraproducente o desfecho da estória.

          E o livre arbítrio dos jovens? Como solucionar estas questões?

          Apresenta-se aqui, segundo o conceito espírita, duas alternativas:

          Uma:- A jovem, espírito evoluído, aceitando ou pedindo tal acontecimento, para ajudar um espírito irmão que se encontra muito necessitado de auxilio.

          Ela encontrará na vida futura as bênçãos e alegrias da sua obra.

          Outra:- A jovem, conquistou virtudes magnificas, mas ainda tem débitos do passado, as vezes com esse mesmo rapaz. Ajudando-o e a si mesma também, cumpre-se a lei de justiça.

          Quanto ao rapaz, só tem a ganhar, e sua liberdade de querer ou não, é confundida pêlos bons espíritos que sabem o que melhor lhe convém.

          Como é inferior, sede ao automatismo da lei.



FIM

Voltar