NÃO SE PODE SERVIR A DEUS E A MAMON

CAP. XVI DO EVANGELHO SEG. O ESPIRITISMO


1. Salvação dos ricos.
2. Guardai-vos da avareza.
3. Jesus em casa de Zaqueu.
4. Parábola do mau rico.
5. Parábola dos talentos.
6. Utilidade providencial da fortuna.
7. Provas da riqueza e da miséria.
8. Desigualdade das riquezas.
9. Instrução dos Espíritos.
10. A verdadeira propriedade.
11. Emprego da fortuna.
12. Desprendimento dos bens terrenos.
13. Transmissão da fortuna.


SALVAÇÃO DOS RICOS

          "Nenhum servo, pode servir a dois Senhores, porque, ou odiará a um e amará ao outro, ou se afeiçoará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir, ao mesmo tempo, a Deus e a Mamon." São Lucas, Cap., V. 13)
E eis que chegando-se a ele um, lhe disse:

          _Bom Mestre, que obras boas devo eu fazer para alcançar a vida eterna?

          Jesus lhe respondeu:

          _Porque me chamas bom: BOM SÓ DEUS O É. Porem se tu queres entrar na vida eterna, guarda os mandamentos.

          Ele lhe perguntou:

          _QUAIS?

          E Jesus lhe respondeu:

          _Não cometerás homicídio; não adulterarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; honra teu Pai e tua Mãe e amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

          O mancebo lhe disse:

          _Eu tenho guardado tudo isso desde a minha mocidade; que é que me falta ainda?

          Jesus lhe respondeu:

          _Se queres ser perfeito, vai e vende o que tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no Céu.

          O jovem ouvindo isto, foi-se embora muito triste, porque tinha grandes bens. E Jesus, disse aos seus discípulos:

          _Em verdade vos digo, que um rico dificilmente entrará no reino do Céu. Ainda vos digo mais, que mais fácil é, passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no Reino do Céu. (MATEUS, MARCOS E LUCAS)


GUARDAR-SE DA AVAREZA.



          Então lhe disse um homem da plebe: Mestre, diz a meu irmão que reparta comigo a herança.

          Porém Jesus lhe respondeu: Homem, quem constituiu juiz ou para fazer vossas partilhas?

          Depois disse: Guardai-vos e acautelai-vos de toda avareza, porque a vida de cada um não consiste na abundância das coisas que possui.

          E sobre isso lhes propôs esta parábola dizendo:

          "O campo de um homem Rico, tinha dado abundantes frutos, e ele mantinha dentro de si mesmo, estes pensamentos dizendo: Que farei, se não tenho onde recolher meus frutos? E disse: Derrubarei os mês celeiros e fá-los-ei maiores; neles recolherei todas as minhas colheitas e os meus bens e direi à minha alma: alma minha, tu tens muitos bens em deposito para largos anos; descansa, come e bebe, regala-te.

          Mas Deus disse a este homem: Néscio, esta noite te virão demandar a alma. E as coisas que tu ajuntastes, para quem serão?

          Assim é o que entesoura para si e não é rico para Deus." (LUCAS)


JESUS NA CASA DE ZAQUEU


          "E tendo entrado em Jerico, atravessava Jesus a cidade. E vivia nela um homem chamado Zaqueu, e era ele um dos principais entre os publicanos; e pessoa rica. E procurava ver Jesus, para saber quem era, e não conseguia, por causa da quantidade de gente, e porque era pequeno de estatura.

          E correndo adiante, subiu a uma árvore para o ver. E quando Jesus chegou àquele lugar, levantando os olhos, o viu e lhe disse: Zaqueu, desce depressa, porque importa, que eu fique hoje em tua casa. E desceu ele a toda pressa e recebeu-o jubiloso.

          E vendo isto, todos murmuraram dizendo: Este homem não é pecador? Como Jesus vai hospedar-se em sua casa.
Entretanto Zaqueu, posto na presença do Senhor, disse: estou para dar aos pobres metade de meus bens e naquilo em que eu tiver defraudado a alguém, pagar-lhe-ei quadruplicado.

          Sobre o que lhe disse Jesus: Hoje entrou a Salvação nesta casa, porque este também é filho de Abraão.Porque o filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido"(LUCAS)


A PARÁBOLA DO MAU RICO


          "Havia um homem rico, que se vestia de purpura, linho e seda, e que todos os dias se banqueteava esplendidamente.

          Havia também um pobre mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à sua porta. este desejava fartar-se das migalhas que caiam da mesa do rico, mas ninguém lhas dava; e os cães vinham lamber-lhe as ulceras.

          Ora sucedeu morrer este mendigo que foi levado pêlos anjos ao seio de Abraão.

          E morreu também o rico que foi sepultado no "Inferno". E quando ele estava nos tormentos, levantando os olhos para cima, viu Abraão com Lázaro em seus braços.


          E gritando disse: Pai Abraão, compadece-te de min, e manda cá Lázaro para que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois estou atormentado neste abismo.

          E Abraão lhe respondeu: Filho, lembra-te que recebeste os teus tesouros em tua vida e que Lázaro não teve senão males, por isso está ele agoira consolado, e tu em tormentos. E demais, entre nós e vós está firmado um grande abismo, de maneira que não se pode passar daqui para vós e nem os daí, passar para cá.

          E disse o rico: Pois eu te rogo Pai Abraão, que o mandes a casa de meu Pai; pois tenho lá cinco irmãos, para que lhes de testemunho e não suceda, virem também eles para este lugar de tormentos.

          E Abraão lhe disse: Eles tem Moisés e os Profetas; que os ouçam.

          Disse ainda o rico: Não, Pai Abraão; mas se forem a eles alguém dos mortos, hão de fazer penitencia.

          Porém, Abraão lhe reponde: se eles não dão ouvidos a Moisés e aos profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda quando haja de ressuscitar algum dos mortos." (LUCAS)

 

PARÁBOLA DOS TALENTOS


          "O Senhor age como um homem, que ao ausentar-se para longe, chama os seus servos e lhes entrega os seus bens. e deu a um, 5 talentos. (dinheiro) a outro 2 e ao outro deu 1; segundo a capacidade diferente de cada um. E partiu logo.

          O que recebera 5 talentos, foi-se e entrou a negociar com eles e ganhou outros 5.

          Da mesma sorte o que recebera 2, ganhou outros dois.

          Mas o que recebera 1 talento, cavou a Terra e escondeu ali o dinheiro de seu Senhor.

          E passando algum tempo, o Senhor voltou e chamou-os as contas.

          E chegando-se a ele, o que havia recebido 5 talentos, apresentou-lhe outros 5 a mais que havia negociado e disse: Senhor, tu me entregaste 5; eis que aqui tens outros 5 que lucrei.

          E o Senhor lhe disse: muito bem, servo bom e fiel nas coisas pequenas; dar-te-ei a intendência das grandes.

          Da mesma forma apresentou-se o que havia recebido 2 talentos e que também multiplicou-os, recebeu de seu Senhor a dádiva da recompensa.

          E chegando o que havia recebido 1 talento disse: Senhor, sei que es um homem de rija convicção; que segas onde não semeaste e colhes onde não plantastes. E temendo, escondi o teu talento na terra, eis aqui tens o que é teu.

          E, respondendo, seu Senhor lhe disse: Servo mau e preguiçoso, sabias que sego onde não semeei e que recolho onde nada empreguei; devias logo, dar o meu dinheiro aos banqueiros, que vindo eu, terias recebido certamente, o que era meu e com juros.

          Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem 10 talentos; Porque a todo que já tem, dar-se-lhe-á e terá em abundância ; e ao que não tem, tirar-se-lhe-á até o que parece que tem. e ao servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes." (S. MATEUS)

 

UTILIDADE PROVIDENCIAL DA FORTUNA
COMENTÁRIOS DE ALLAN KARDEC


          A riqueza é sem dúvida uma prova da mais perigosa do que a miséria, por suas conseqüências, pelas tentações que desperta, pelo fascínio que exerce; É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da sensualidade. Mas pelo fato de dificultar o caminho, não se segue, que o torne impossível ao alcance daquele que dela saiba servir-se


          Exemplo

          Um a pessoa que possui muito dinheiro, pode aplica-lo em construção de fabricas que iriam empregar muitas pessoas. Ou aplica-lo também na construção de usinas de açúcar onde com certeza daria emprego na lavoura e na própria usina a muitos trabalhadores.

          Jesus quis dizer ao jovem, que o apego aos bens terrenos, seria um obstáculo para a salvação.

          Não estabeleceu como principio único, que cada um deve despojar-se do que possui. Se a riqueza ocasiona muitos males, excita tantas paixões e provoca tantos crimes, deve-se culpar o homem que dela faz mal uso. Como abusa de todos os dons de Deus. Com o abuso, torna pernicioso, aquilo que lhe poderia ser útil.

          Se a riqueza devesse só produzir o mal, Deus não a teria posto na Terra; cabe ao homem, dela sair-se bem. A riqueza é também elemento de progresso, porque sem ela não haveria grandes trabalhos, nem atividades, nem estímulos, nem descobertas etc.

 

DESIGUALDADE DAS RIQUEZAS


          A desigualdade de riquezas é um dos problemas, cuja solução se tenta em vão, desde que só se considera a existência atual.

          A primeira questão que se apresenta é esta: porque todos os homens não são igualmente ricos? Não o são por uma razão muito simples;

          PORQUE NÃO SÃO IGUALMENTE INTELIGENTES, ATIVOS, LABORIOSOS PARA ADQUERIR, NEM SÓBRIOS E PREVIDENTES PARA CONSERVAR.

          Além disso, está matematicamente demostrado que, igualmente distribuída a fortuna, daria a cada um uma parte mínima e insuficiente; que tal distribuição romperia o equilíbrio pela diversidade do caráter de cada um, e de aptidões e teríamos como resultado, a paralisação de todos os grandes trabalhos, que concorrem para o progresso e o bem estar da humanidade.

          Isto posto, perguntar-se-á porque Deus concedeu a riqueza a pessoas incapazes de faze-las frutificar para o bem de todos?

          É que na sua sabedoria, deus concebe o livre arbítrio ao homem, para que chegue por sua própria experiência a distinguir o bem do mal e que a prática do bem, seja o resultado de seus esforços.

          A fortuna é um meio de experimenta-lo moralmente, e cada um a possui ao seu turno.

          Não devemos limitar o olhar à vida presente. Consideremos o conjunto de existências e veremos que tudo se equilibra com justiça.


INSTRUÇÃO DOS ESPÍRITOS
A VERDADEIRA PROPRIEDADE


          O homem não possui como verdadeira propriedade, senão aquilo o que pode levar deste mundo.

          Aquilo que encontra ao chegar ou o que deixa ao sair; apenas desfruta, enquanto aqui permanecer.

          O que possui, pois? Tudo o quanto é para uso da alma: isto é, aquilo que trouxe e que leva, do qual ninguém lhe pode tirar; que lhe servirá no além e ainda mais e ainda mais do que neste mundo.

          Dele depende ser mais rico ou mais pobre a cada existência. Quando se viaja para um pais distante, leva-se os objetos e a roupa de uso daquele pais; não se sobrecarrega com coisas inúteis.

 

EMPREGO DA FORTUNA.


          Aquele que está animado de amor ao próximo, tem traçada a sua linha de conduta. Não essa caridade fria e egoísta, mas a caridade cheia de amor, que busca a desgraça e a ergue sem humilhar. Difunde o amor ao trabalho. Coloca suas riquezas nas bases das boas obras e tem grandes lucros. Aplicando-a na saúde, na educação, nas artes e na ciência.

          Sendo o homem depositário, o gerente dos bens, que Deus põe em suas mãos, severas contas ser-lhe-ão pedidas, do emprego das riquezas e do que haja feito em virtude de seu livre arbítrio.

          A beneficência é uma maneira de empregar a fortuna; mas um dever imperioso e meritório, consiste em evitar a miséria; eis, sobretudo a missão das grandes fortunas. Levar o trabalho, desenvolver a inteligência que eleva a dignidade do homem.

          Fazei esmolas quando necessário, mas sempre que possível, convertei-a em salário, a fim da que não envergonhe quem a recebe. Quando isto for realizado, O SOBERANO SENHOR DIRÁ :Ó BOM E FIEL SERVIDOR, PARTICIPA DO GOSO DO TEU SENHOR."

          Nesta parábola o servo que esconde na terra o ouro, que lhe foi confiado, não é por acaso, a imagem do avarento, em cujas mãos a fortuna se torna improdutivas?

 

DESPRENDIMENTO DOS BENS TERRENO.


          Meus irmãos e amigos, venho trazer-vos meu óbolo, para vos ajudar a marchar com coragem, pelo caminho do melhoramento, no qual entrastes.

          Temos dívidas reciprocas. A regeneração só é possível, por uma união sincera e fraterna entre os Espíritos e os Encarnados.
Vosso amor aos bens terrenos é um dos maiores entraves ao vosso progresso moral e Espiritual e, por esta paixão de possuir, rompeis vossas de amor concentrando-as todas em coisas materiais.

          Em vão procurais criar ilusões na Terra, dando o colorido de virtude ao que, muitas vezes é apenas egoísmo.

          Quando um homem trabalha muito e fez fortuna com o suor de seu rosto, ouvi-lo-eis dizer, que quando o dinheiro é ganho honestamente, se lhe conhece melhor o valor; nada é mais verdadeiro. Pois bem! que esse homem que confessa conhecer todo o valor do dinheiro, faça a caridade segundo os seus meios, e terá mais mérito do que aquele que, nascido na abundância, ignora as rudes fadigas do trabalho.

          O Senhor não ordena que nos despojemos do que possuímos, para não nos reduzirmos à mendicidade voluntária, porque então nos tornaríamos um fardo para a sociedade. Agir assim seria compreender mal o desprendimento dos bens terrenos; é isso uma outra forma de egoísmo, porque é a descarga da responsabilidade que a fortuna faz pesar sobre aqueles que a possui. Portanto digo-vos: Sabei contentar-vos com o pouco. Se sois pobres, não invejeis os ricos, porque a fortuna não é necessária à felicidade. Se sois ricos não esqueçais que esses bens vos foram confiados e que devereis justificar o seu emprego como se prestásseis a conta de uma tutela.

          A vontade do homem é, pois, impotente para sustentar sua fortuna, o que, entretanto, não o priva do direito de transmitir o empréstimo recebido aos seus filhos. Lembrando-se, porém, Deus a tirará quando julgar conveniente.

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