No Mundo Maior

André Luiz e Chico Xavier

O cérebro é o órgão de manifestação da atividade espiritual.
Divide-se em três regiões distintas:


(1º andar) Subconsciente:
Hábito e Automatismo
REPRESENTA O PASSADO
Situamos a resistência de nossos impulsos automáticos.
Sumário vivo dos serviços realizados.
Espera dos impulsos instintivos, onde se arquivam todas as experiências da animosidade (animalidades) anterior.

(2º andar) Consciente:
Esforço e a Vontade
REPRESENTA O PRESENTE

Localizamos o domínio das conquistas atuais, onde se erguem as qualidades nobres que edificamos.
Sede da vontade e do esforço próprio.


(3º andar) Superconsciente:
Ideal a ser alcançado
REPRESENTA O FUTURO

Temos aqui a casa das noções superiores, indicando as eminências que nos cumpre atingir.
Onde situamos as concepções superiores.


“No mundo maior”. André Luz – Chico Xavier
Cap.: estudando o cérebro

Do livro NO MUNDO MAIOR de ANDRÉ LUIZ, psicografado por FRANCISCO CANDIDO XAVIER, os capítulos, A CASA MENTAL e ESTUDANDO O CÉREBRO.

Calderaro instrutor e André Luiz Aluno

Diz André. Empolgara-nos imprevisto. Continuávamos vivendo, apenas sem a máquina fisiológica. A passagem pelo sepulcro conduzira-nos para uma vida melhor, mas...e os milhões que permaneciam apegados a crosta da Terra. Via-os conturbados e aflitos, assumindo formas desagradáveis ao olhar. Nos casos de obsessão convertiam-se em recíprocos algozes. Calderaro veio em meu auxílio dizendo, André, para transformamos-nos em legítimos elementos de auxílio aos espíritos sofredores, desencarnados ou não, é-nos imprescindível compreender a perversidade como loucura, a revolta como ignorância, e o desespero como enfermidade.

Jesus assim ensinou!

A cegueira é fruto da espessa ignorância em manifestações primárias. Em vasto hospital da Terra, vimos um enfermo que Calderaro deveria assistir. Abatido e pálido, mantinha-se o doente, unido e deplorável entidade do nosso plano, em mísera condição de inferioridade. O enfermo não percebia com os olhos físicos, a presença do companheiro sinistro aspecto. Pareciam visceralmente jungidos um ao outro, tal a abundância de fios tênues que mutuamente os entrelaçavam, desde o tórax a cabeça. Comoções e pensamentos seriam permutados entre ambos. A pedido do instrutor, examinei o cérebro dos dois, um encarnado no leito do hospital e outro desencarnado que observava o encarnado. O desencarnado possuía uma estranha ferida no tórax e lembrava um felino vigiando a presa. O prestimoso mentor argumentou sorridente: - Depois da morte física o que há de mais surpreendente para conosco, consiste no reencontro com a vida.

Aqui aprendemos que o organismo astral (perispirito) que nos condiciona em matéria mais leve e mais plástica, após o sepulcro, resulta do processo evolutivo. Não somos criações milagrosas destinadas ao adorno de um paraíso de papelão. Somos filhos de Deus e herdeiros dos séculos, conquistando valores, de experiência, de milênios a milênios. Não há favoritismo no Templo Universal Eterno, e todas as forças da Criação se aperfeiçoam no Infinito, desde a ameba, na tépida água do mar, ao homem, vimos lutando, aprendendo e selecionando invariavelmente, para adquirir movimentos e músculos, faculdades e raciocínios, experimentos a vida, e por ela somos ou fomos experimentados, milhares de anos.

Diz Calderaro: - No sistema nervoso, temos o cérebro inicial, repositório dos movimentos instintivos e sede das atividades subconscientes, figuremo-lo como sendo o porão da individualidade, onde arquivamos todas as experiências e registramos os menores fatos da vida.

Na região do córtex motor, zona intermediária entre os lobos frontais e os nervos, temos o cérebro desenvolvido consubstanciando as energias motoras de que se serve a nossa mente para as manifestações imprescindível no atual momento evolutivo do nosso modo de ser.

Nos planos dos lobos frontais, silenciosos ainda para a investigação do mundo, jazem matéria de ordem sublime, que conquistaremos gradualmente, no esforço de ascensão, representando a parte mais nobre de nosso organismo divino em evolução.

Calderaro era educador da mais elevada estirpe, e continuou: - Não podemos dizer que possuímos três cérebros simultaneamente. Temos apenas um que, porém, se divide em três regiões distintas. Tomemo-lo como se fora um castelo de três andares. No primeiro situamos a residência de nossos impulsos automáticos, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados. No segundo localizamos o domicílio das conquistas atuais, onde se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando. No terceiro, temos a casa das noções superiores, indicando as eminências que nos cumpre atingir.]Num deles moram o habito e o automatismo.

No outro, residem o esforço e a vontade.

No último, demoram o ideal e a meta superior a ser alcançada.

Distrubuímos deste modo, nos três andares, o subconsciente, o consciente e o superconsciente. Como vemos, possuímos em nós mesmos, o passado, o presente e futuro.

Aí pensei: - O cérebro de um desencarnado, seria também suscetível de adoecer. Que pergunta André, disse Canderaro. Cuidas que a maldade deliberada não seja moléstia da alma? Que o ódio não seja causa terrível. Supões por ventura, não haja “vermes mentais”? Embora tenhamos a felicidade de agir num corpo mais sutil e mais leve, graças a natureza de nossos pensamentos e aspirações, já distantes das zonas grosseiras da vida que deixamos, não possuímos ainda o cérebro dos anjos. Não podemos descansar nos processos de evolução.

O corpo perispiritual humano, vaso de nossas manifestações, humano, é por hora a nossa mais alta conquista na Terra no capítulo das formas. O gênero de vida de cada um, no invólucro carnal, determina a densidade do organismo perispirítico após a perda do corpo denso.

O cérebro é o instrumento que traduz a mente, manancial de nossos pensamentos. Através dele unimo-nos à luz ou à treva, o bem ou o mal.

Indicando os dois sofredores, ao nosso lado, prosseguiu. – Examinemos aqui dois enfermos, um na carne, outro fora dela. Ambos trazem o cérebro intoxicado, sintonizando-se um com o outro. Espiritualmente, rolaram o terceiro andar, onde situamos as concepções superiores, e, entregando-se ao relaxamente da vontade, deixaram de acolher-se no segundo andar, sede do esforço próprio, perdendo valiosa oportunidade de reerguer-se. Caíram na esfera dos impulsos instintivos, onde se arquivam todas as experiências da animalidade anterior. Ambos detestam a vida. Odeiam-se reciprocamente, desesperam-se, asilam idéias de tormentos aflição, e vingança. Em suma, estão loucos, embora o mundo não lhes vislumbre o desequilíbrio, que se verifica no íntimo da organização perispiritual. No transcurso de nossos trabalhos explicar-te-ei quanto estiver ao alcance de meus conhecimentos.

Quis fazer novas perguntas, quando Candelaro no serviço de assistência direta, impôs as mãos no lobo frontal do doente encarnado.

Cp. IV ESTUDANDO O CÉREBRO

Transmitindo com a mão fraterna espalmada sobre a fronte do enfermo encarnado, vigorosos fluidos renovadores, Caderaro esclareceu. Há vinte anos, este amigo assassinou o seu atual verdugo. O homicida era empregado da vítima desde a infância, e, na maioridade exigiu do patrão que passara a tutor, o pagamento dos anos de serviço. Negou-se o chefe, alegando que assistira desde a infância e juventude. Conceder-lhe-ia interesses nos negócios. Guardava-o a custa de um filho, que reclamava contínua assistência.

Estabeleceu-se a contenda. Palavras rudes e cólera. No auge da ira, o rapaz assassinou. Antes de fugir, o criminoso retirou do cofre, vultuosa quantidade de papel moeda e que se supunha com direito, deixando regular fortuna que despistou a polícia. A justiça humana emalhada nas habilidades de delinqüente, não esclareceu o problema. O assassino pranteou a ocorrência, como se o desencarnado lhe fosse pai.

Conseguiu ludibriar os homens, mas não pode iludir a si mesmo.

A entidade desencarnada, concentrou na mente, a idéia de vingança. Juntou-se a organização psíquica, a maneira de era sobre muro viscoso. Tudo fez o homicida para o assédio do obsessor. Desdobrou-se em empreendimentos materiais. Desposou uma jovem de alma elevada que o amparou com afeição. Mas o desventurado, manteve no porão da personalidade impressões destruidoras recolhidas no instante da queda. A mente assediada pela presença da vítima, passou a fixar-se na região intermediária do cérebro. A dor e o remorso, não lhe permitia fácil acesso a esfera superior do organismo perispiritico, onde os princípios mais nobres de ser erguem o santuário de manifestações da consciência divina.

Vivendo na região intermediária do cérebro, sentia alguma calma agindo e trabalhando. Duelava com o perseguidor, nas horas de sono. Em conseqüência provocou o desequilíbrio na organização perispiritual, que se refletiu na zona motora, implantando o caos orgânico. Reparando os centros corticais, vi que a matéria cerebral ameaçava amolecimento.

Calderaro disse: - Estamos diante do órgão Perispiritual do ser humano, adenso a duplicata física. Esse corpo Astral que se caracteriza, em nossa esfera menos densa, por extrema leveza e extraordinária plasticidade, submete-se ao plano da crosta, as leis de recapitulação, hereditariedade e desenvolvimento fisiológico, de conformidade com o mérito ou demérito. Através de cérebro, sentimos os fenômenos exteriores, segundo nossa capacidade receptiva que é determinada pela experiência. Por isso varia de criatura a criatura. O selvagem apresenta-o com as vibrações muito diversas do civilizado. O santo emite ondas que se distinguem das de um cientista. Ex: São Francisco e Einstein (Fé e Ciência).

Então há diversidade nos cérebros, de acordo com a evolução de cada um. Aqui porém examinamos o organismo que modela as manifestações do corpo físico, e reconhecemos que todo o aparelho nervoso é de ordem sublime. A célula nervosa é entidade de natureza elétrica, que diariamente se nutre de combustível adequado.

A mente é a orientadora desse universo microscópico, em que bilhões de corpúsculos e energias multiformes segregam o seu serviço. Dela emanam as correntes da vontade. É obrigada pela lei divida a apreender, verificar, escolher, repelir, aceitar, recolher, aguardar, iluminar-se, progredir sempre. Ainda que aparentemente estacionada, a mente prossegue seu caminho sem recuos, sob a atuação das forças visíveis ou das invisíveis.

Disse Calderaro: - Posso dizer-te hoje que, existe a química fisiológica, mas também a química espiritual, como possuímos a orgânica e a inorgânica, existindo estrema dificuldade em definir-lhes os pontos de ação independente. Quase impossível determinar-lhes a fronteira divisória, como e onde termina a matéria e começa o espírito.

As células no corpo físico, apresentam determinadas personalidades no fígado, outra nos rins, no sangue etc. Surgem e desaparecem. No cérebro, porém, inicia-se o império da química espiritual. Os elementos celulares, aí, são dificilmente substituíveis. A paisagem delicada e superior torna-se sempre a mesma, porque o trabalho da alma requer fixação, aproveitamento e continuidade.

O estômago pode ser um alambique, em que o mundo infinitésimo se revele, em tumultuaria animalidade, aproximando-se dos quadros inferiores da vida, porquanto o estômago não necessita recordar. Já o órgão de expressão mental, reclama personalidade químicas, de tipo sublimado, por alimentar-se de experiências que devem ser registradas, arquivadas e lembradas, sempre que necessário. Intervém então, a química superior, dotando o cérebro de material insubstituível em muitos departamentos de seu laboratório íntimo.

O princípio espiritual, esteve no seio das águas, com organismos celulares, que multiplicaram-se por divisão. Fez longa viagem na esponja. Experimentou longo tempo, antes de ensaiar os alicerces do aparelho nervoso na medusa, no verme, no batráquio. Antes de encetar experiências ao sol do meridiano. Quantos séculos. Por isso, diz o filósofo: - O homem dorme na pedra, vegeta na planta, acorda no animal e sonha no homem. Estamos em todas as épocas, abandonando esferas inferiores, a fim de escalar superiores. Então o cérebro torna-se o órgão sagrado de manifestações da mente, em trânsito da animalidade primitiva para a espiritualidade humana, atravessando o rio do renascimento. Somos surpreendidos pelo duro trabalho de recapitulação para a necessária aprendizagem.

Semeamos na Terra, para colher aqui, aprimorando, reajustando e embelezando, até atingir o saleiro farto de grãos e nos transferir para outras terras do Céu. Todos os homens conservam tendências e faculdades, que quase equivalem a efetiva lembrança do passado, e nem todos ao atravessarem o sepulcro, podem readquirirem, repentinamente o patrimônio de suas reminiscências.

Quem demasiado estagia no campo da matéria, de pronto, não pode reascender a luz da memória. Leva tempo a desfazer-se dos pesados envoltórios, a que se prendeu (níveis e sub-níveis). Contudo, aqui, em nossos círculos de ação (astral), não evitamos quedas lastimáveis e doenças complexas, isso porque, num percurso de cem milhas, aqui ou na terra, poderá haver, nas últimas milhas, algum acontecimento difícil, com queda lastimável.

Para que nossa mente prossiga na direção do alto, torna-se indispensável se EQUILIBRE, valendo-se das conquistas passadas, para os serviços presentes, e amparando-se ao mesmo tempo, na esperança que flui crsitalina e bela da fonte superior do idealismo elevado, assim construindo o futuro santificante.

Calderaro fez aplicação magnética sobre o crânio do enfermo e disse: - Temos aqui dois amigos de mente fixada na região dos instintos primários. Outra seria a situação se ambos tivessem a queda, reergendo-se pelo trabalho construtivo e pelo entendimento fraterno no santuário do perdão legítimo.

Perdão a si mesmos, perdão ao ofensor, pedir o perdão. Essa torna-se a libertação dos seres e o progresso das almas segundo Jesus. Dentro em pouco o doente entrava em sono, e afastado do veículo físico, encontrou-se no plano astral, com seu perseguidor.

Ambos não nos viam. O doente parecia aflito, enquanto o perseguidor parecia agora mais agressivo. Não me contive e disse a Calderaro: - Porque os não socorrer com palavras de esclarecimento? O instrutor ouviu-me sereno, e respondeu: - Porque nós, ambos espíritos de recioncínio algo avançado, mas de sentimentos menos sublimes. São eles dois infortunadas e nada mais.

A providencia não foi porém esquecida. A irmã Cipriana orientadora dos serviços de socorro do grupo em que coopero, não pode tardar.

E porque não tentamos o esclarecimento verbal, agora a estes nossos irmãos? - Disse André Luiz. Respondeu Calderaro: - Porque, se o conhecimento auxilia por fora, só o AMOR socorre por dentro. Somente os que amam conseguem atingir as causas profundas...E nós, ambos, por enquanto, apenas conhecemos, sem saber AMAR. A irmã Cipriana porta o DIVINO AMOR, que ainda não possuímos!

Capítulo 5 – O PODER DO AMOR!

BIBLIOGRAFIA

André Luiz – Espírito.
Chico Xavier – Médium.
Livro: No Mundo Maior.
Cap.: III e IV.
“A Casa Mental”.
“Estudando o Cérebro”.

 
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