História 26

O Peixinho Vermelho

Ante as portas livres de acesso ao trabalho Cristão e ao conhecimento salutar que André Luiz vaie desvelando, recordemos prazerosamente a antiga lenda egípcia do peixinho vermelho.

No centro de formoso jardim, havia grande lago adornado de ladrilhos azul turquesa, Alimentado por diminuto canal de pedra que escoava suas águas, do outro lado através  de grade  muito estreita.

Nesse reduto acolhedor, vivia toda uma comunidade de peixes, a se refastelarem nédios e satisfeitos, em complicadas locas, frescas e sombrias. Elegeram um dos concidadãos de barbatanas para os cargos  de Rei, e ali viviam despreocupados entre a gula e a preguiça. Junto deles porém, havia um peixinho vermelho menosprezado de todos. Não conseguia pescar a mais leve larva nem refugiar-se nos nichos barrentos. Os outros vorazes e gordões, arrebatavam para si todas as formas lavrarias  e ocupavam displicentes, todos os lugares  consagrados ao descanso. O peixinho vermelho que nadasse e sofresse. Por isso mesmo era visto, em correria constante, perseguido pela canícula ou atormentado de fome. Não encontrando no vastíssimo domicilio, o pobrezinho não dispunha de tempo para muito lazer e começou a estudar com bastante interesse, fez o inventário de todos os ladrilhos que enfeitavam as bordas do poço, arrolou todos os buracos nele existentes e sabia com precisão, onde se reunia a maior massa de água por ocasião dos aguaceiros. Depois de muito tempo, encontrou a grade do escoadouro

A frente de imprevista oportunidade de aventura benéfica, refletiu consigo. Não será melhor pesquisar a vida e conhecer outros rumos?

Optou pela mudança.            

Apesar de macérrimo pela abstenção completa de qualquer conforto, perdeu várias escamas, com grande sofrimento, a fim de atravessar a passagem estreitíssima. Pronunciando votos renovadores, avançou, otimista, pelo rego d água encantado com as novas paisagens, ricas de flores e sol que o defrontavam, e seguiu, embriagado de esperanças ...Em breve alcançou grande rio e fez inúmeros  conhecimentos.

Encontrou peixes de muitas famílias diferentes, que com ele simpatizaram, instruindo-o quanto aos percalços da marcha, e descortinando-lhe mais fácil roteiro. Embevecido, contemplou nas margens  homens e animais, embarcações e pontes, palácios, veículos, cabanas e arvoredos. Habituado com o pouco, vivia com extrema

 Simplicidade, jamais perdendo a leveza e a agilidade naturais.

Conseguiu, desse modo atingir o oceano, ébrio de novidade e sedento de estudo. De inicio porem, fascinado pela paixão de observar, aproximou-se de uma baleia para quem toda água do lago em que vivera não seria mais que diminuta ração. Impressionado com o espetáculo, abeiro-se dela mais que devia e foi tragado para lhe constituir a primeira refeição diária .Em apuros o peixinho orou  ao rei dos peixes, rogando proteção no bojo do monstro e não obstante, as trevas em que pedia salvamento, sua prece foi ouvida porque o valente cetáceo começou a soluçar e vomitou, restituindo-o as correntes marinhas.  O pequeno viajante, agradecido e feliz, procurou companhias mais

Simpáticas e aprendeu a evitar perigos e tentações.

Plenamente transformado em suas concepções do mundo, passou a reparar as infinitas riquezas da vida. Encontrou plantas luminosas, animais estranhos, estrelas móveis e flores diferentes no seio das águas. Sobretudo, descobriu a existência de muitos peixinhos, estudiosos e  delgados tanto quanto ele, junto dos quais se sentia maravilhosamente e feliz. Vivia agora sorridente e calmo, no Palácio de  Coral que elegera, com centenas de amigos para a residência ditosa, quando ao se referir  ao seu começo  Laborioso veio a saber que somente no mar  as criaturas aquáticas  dispunham de mais solida garantia, de vez que, quando o estio se fizesse mais arrasador, as águas de outras  altitudes continuariam a correr  para o oceano.

O peixinho pensou, pensou... e sentindo imensa compaixão  daqueles com quem convivera na infância, deliberou consagrar-se à obra do progresso e salvação deles. Não seria justo regressar  e anunciar-lhes  a verdade?  Não seria nobre  ampara-los  prestando-lhes a tempo valiosas informações?

Não hesitou  Fortalecido pela generosidade de irmãos bem feitores  que com  ele viviam no Palácio de Coral, empreendeu comprida viagem de volta. Tornou ao rio do rio dirigiu-se aos regatos e dos regatos se encaminhou para os canais menores  que o conduziram ao primitivo Lar. Esbelto e satisfeito como sempre, pela vida de estudo e serviço a que se devotara, varou a grade e procurou  ansiosamente, os velhos companheiros.

Estimulado pela proeza de amor  que efetuava, supôs  que o seu regresso causasse  surpresa e entusiasmo gerais. Certo, a coletividade inteira  lhe celebraria o feito, mas depressa verificou que ninguém se mexia. Todos os peixes continuavam pesados e ociosos, nos mesmos nichos cheios de lama, protegidos por flores de ilusões, de onde saiam apenas  para disputar larvas, moscas ou minhocas desprezíveis. Gritou que voltara a casa, mas não houve quem lhe prestasse atenção, porquanto ninguém, ali, havia dado pela ausência dele. Ridicularizado, procurou então, o rei dos peixes que possuía guelras  enormes e comunicou-lhe a  reveladoura aventura.

O soberano, algo entorpecido pela mania se grandeza, reuniu o povo e permitiu que o mensageiro se explicasse. O benfeitor desprezado, valendo-se do ensejo, esclareceu com ênfase, que havia outro  mundo liquido, glorioso e sem fim.  Aquele poço  era uma insignificância  que podia desaparecer de momento para outro. Além do escoadouro  próximo  desdobrava-se outra vida e outra experiência. Lá fora, corriam regatos  ornados de flores, rios caudalosos  repletos de seres diferentes e, por fim, o mar surpreendente de vida. Descreveu o serviço de tainhas e salmões, de trutas e esqualos. Deu noticias do peixe lua, do peixe coelho e do galo do mar. Contou que vira o Céu

Repleto de astros sublimes e vira cidades praieiras  com barcos imensos monstros terríveis, jardins submersos, estrelas do oceano e ofereceu-se para conduzi-los  ao 0

Palácio de Coral, onde viveriam todos, prósperos e tranqüilos, Finalmente os informou de que semelhante felicidade, porém, tinha igualmente o seu preço. Deveriam todos  emagrecer, abstendo-se de devorar tantas larvas e tantos vermes, nas locas escuras e aprendendo a trabalhar e estudar tanto quanto era necessário à venturosa jornada. Assim que terminou, gargalhadas estridentes coroaram-lhe a  preleção. Ninguém acreditou nele. Alguns oradores tomaram a palavra e afirmaram solenes, que o peixinho vermelho delirava, que outra vida além do poço era francamente impossível, que aquela história de riachos, rios e oceanos era mera fantasia de cérebro demente e alguns chegaram a declarar que  falavam em nome do Deus dos peixes, que trazia os olhos voltados para eles unicamente. O soberano da comunidade, para melhor ironizar o peixinho, dirigiu-se em companhia dele até a  grade do escoadouro e, exclamou borbulhante : Não vês que não cabe aqui nem uma só de minhas barbatanas? Grande tolo! Vai-te! Vai-te daqui depressa. Não nos perturbe o bem estar...Nosso lago é o centro do Universo... Ninguém  possui vida igual a nossa! Expulso a golpes de sarcasmo, o peixinho realizou a viagem de retorno e instalou-se em definitivo no Palácio de Coral, aguardando o tempo. Depois de alguns anos, apareceu pavorosa e devastadora seca

As águas desceram de nível, e o poço onde viviam os peixes pachorrentos e vaidosos esvaziou-se compelindo a comunidade inteira a perecer atolada na lama

O esforço de André Luiz, buscando ascender luz nas trevas, é semelhante á missão do peixinho vermelho. encantado com as descobertas do caminho infinito, realizadas depois de muitos conflitos e sofrimentos, volve na recôncavo da Crosta Terrestre, anunciando aos antigos companheiros  que além dos cubículos em que se movimentam resplandece outra  vida, mais intensa e mais bela, exigindo, porém, acurado aprimoramento individual

Para a travessia da estreita passagem de acesso às claridades da sublimação.

Porque fala, Informa, Prepara e Esclarece...

Há contudo, muitos peixes homens que sorriem e passam, entre a mordacidade e a indiferença procurando locas passageiras ou pleiteando larvas temporárias. Esperam um paraíso gratuito com milagrosos deslumbramentos após a  morte do corpo

Nota:  " A cada um, segundo as suas obras" Disse Jesus.                       

FIM

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