História 27

O Gigante Egoísta

Ciclo  Primário
Autor:  Oscar Wilde
Tema:  Egoísmo

Pelo Departamento de Evangelização da UMEA.

Era uma vez um gigante que morava num castelo muito bonito. Apesar de lá ser a sua casa, havia já sete anos que  estava ausente. Fora visitar um seu amigo.  Como  o castelo  estivesse abandonado durante esses sete anos, todas as crianças daquela cidade  brincavam em seu jardim. Lá, eram felizes. Brincavam despreocupadas  e só interrompiam os seus folguedos para ouvir os pássaros.

Como somos felizes :  Costumavam exclamar.

 

Mas certo dia, o gigante voltou:

Que fazem aqui ?  Perguntou  às crianças.  Este jardim é meu e somente eu posso brincar nele.

As crianças assustadas, correram para suas casas.  E, desde asse dia então, o gigante passou a ser conhecido como gigante egoísta. Após a meninada Ter ido embora, o gigante cercou todo o seu terreno com um muro altíssimo, e colocou uma tabuleta com o seguinte aviso:  "È PROIBIDA A ENTRADA" 

A partir deste dia, as crianças ficaram sem Ter onde brincar. Tentaram distrair-se na estrada, mas esta era poeirenta e cheia de pedras. Costumavam passear depois das aulas, ao redor da muralha, lembrando-se dos dias em que brincavam no jardim do castelo. Como eram felizes!  Diziam-se umas às outras.

O tempo passou. Ao chegar a primavera, toda a cidade ficou florida e cheia de pássaros. Só no jardim do gigante egoísta o inverno continuou. Os pássaros não queriam pousar nas árvores parque lá não estavam as crianças. E,

Pelo mesmo motivo, as árvores não floriram. Certo dia uma bela flor surgiu da relva, mas, ao ver a tabuleta ficou com tanta pena das crianças que se recolheu de novo e adormeceu. Os únicos que brincavam no jardim do gigante eram a neve e a geada:  A primavera esqueceu-se deste jardim dissera  Ficaremos nele todo o ano.  A neve cobria a relva com seu manto branco, enquanto a geada balançava as árvores. As duas então, convidaram, o vento Nordeste a ir brincar com elas no jardim do gigante egoísta, e ele foi. Todos os dias, uivava, sem cessar, pelo jardim; derrubando as chaminés; quebrando os galhos das árvores, sempre forte e furioso. Que recanto delicioso! Exclamou o vento Nordeste. Precisamos convidar o granizo a passar uns tempos aqui.

E o granizo aceitou o convite. Todos os dias, durante umas três horas, caía forte sobre o telhado do castelo. Chegou, mesmo, a quebrar-lhe grande parte das telhas.  Vestia de cinzento toda a paisagem, e seu bafo era de gelo. Não compreendo  porque a primavera esta demorando tanto a chegar, pensava o gigante egoísta, olhando, pela janela de seu quarto, o jardim gelado e branco. Espero que o tempo mude logo. Mas a Primavera não veio, nem o Verão. O  Outono trouxe frutos a todos ao jardins, menos ao do gigante.  Ele é muito egoísta  disse o Outono ao granizo. Não merece o seu jardim cheio de flores e  frutos.  E o inverno continuou lá, com o vento Nordeste, o Granizo, a Geada e a neve a bailarem entre as árvores. Certa manhã, três anos depois de ter expulsado as crianças de seu jardim, estava o gigante acordado em sua cama, quando ouviu uma música muito suave. Ela era tão doce, que lhe pareceu ser dos músicos do Rei.

Na verdade, amigos, era apenas um pintarroxo que cantava perto da janela de seu quarto. Como há muito tempo não ouvia o gorjeio de um pássaro, pensou que fosse os músicos do Rei. Então levado pela curiosidade, chegou até a janela e viu, maravilhado, que não mais existiam a Geada, o Vento Nordeste, o Granizo e a Neve. Em todo o seu jardim, haviam flores e pássaros: Que bom! Exclamou satisfeito. A primavera chegou, finalmente! E, olhando mais uma vez, percebeu que seu jardim estava repleto de crianças.  Ah, agora compreendo pensou ele, comovido. São as crianças que fazem as flores surgirem e os pássaros cantarem! Sim, o gigante que era egoísta, percebeu finalmente, que o que faltava em seu jardim, eram as crianças. Mas, quando admirou pela terceira vez o seu jardim, viu que a um canto, o inverno, o inverno continuava.

Era o canto mais afastado do jardim  e onde se achava um menino. Este era tão pequeno, que não conseguia subir numa árvore; e por isso, o inverno perdurava naquele lugar. A árvore, coitada, ainda coberta de neve, tinha o vento Nordeste soprando sobre sua revolta cabeleira de galhos secos. Sobe pequenino,  pedia ela, encurvar os seus galhos. Mas o menino era pequeno demais e não a alcançava E, quanto mais o gigante o olhava, mais lhe doía o coração: Então, desceu as escadas, abriu a porta da frente e saiu. Ao verem-no, porém, as crianças fugiram, amedrontadas. E o inverno invadiu de novo, o jardim. Só o pequenino não fugiu. Estava com os olhos tão cheios de lágrimas que nem percebeu a chegada do gigante. Este aproximou-se, e com cuidado, botou o menino na árvore, e esta recebendo logo as  flores. Vieram logo os pássaros e cantaram em seus galhos. 

E, o menino ficou agradecido ao gigante. As outras crianças, ao verem que o gigante já não era mau,  voltaram a correr pelo jardim do castelo. E a primavera ressurgiu. Este jardim é de vocês.  Podem brincar nele quanto quiserem, disse o gigante a petizada.

Então apanhou um martelo e derrubou o muro. Arrancou a tabuleta do portão e foi brincar com a meninada. As pessoas que por ali passavam, ao verem o Gigante, brincando com as crianças, ficavam enternecidas e contentes Não há mais problemas com o Gigante Egoísta, falavam entre si. E o tempo parecia correr. Quando chegou a tarde e as crianças começaram a ir embora, o Gigante perguntou:  Onde esta  aquele menino que eu botei na árvore?  Não sabemos. Talvez tenha ido embora  responderam.

Não deixem  de  dizer-lhe  que venha, amanhã sem  falta.

Mas não sabemos onde ele mora. Nunca o vimos por aqui! E o Gigante ficou triste.

Todas as tardes, ao saírem da escola, as crianças iam brincar com o Gigante. Mas o menino de quem ele tanto gostava nunca mais apareceu. Ele era bom para a meninada, mas sentia muita falta do seu primeiro amigo pequenino. Gostava tanto dele. Como eu gostaria de tornar a vê-lo. 

E os anos passaram. O gigante foi ficando cada vez mais velho e cansado. Já não podia brincar; por isso, costumava sentar-se numa enorme cadeira e assistir às  crianças brincarem. As vezes, quando seus amigos iam embora, ficava admirando seu formoso jardim.

Tenho muitas flores bonitas, pensava ele, mas as crianças são as flores mais lindas que eu possuo. Certa  manhã  de inverno, enquanto se vestia; pensou:  Já não odeio o Inverno, pois sei que ele é apenas o sono da Primavera e o  tempo em que as flores dormem.

De repente, avistou alguém. Espantado, esfregou os olhos e...  é ele!  Ele voltou!  Exclamou o Gigante...

Sim amigos. No canto mais afastado do jardim, havia uma árvore toda coberta de flores. De seus ramos, todos de ouro, pendiam frutos de prata e, a sua sombra, estava o pequenino de que tanto o Gigante gostava.

Muito alegre, o Gigante desceu para o jardim. Bem devagar , pois já estava velho demais.  Atravessou a relva e aproximou-se da criança. Mas, ao chegar perto, enrubesceu de raiva e perguntou.

Quem feriu você?  Nas mãos do menino havia duas feridas, como se houvesse sido atravessadas por pregos, e o mesmo acontecia em seus  pés.

Quem ousou ferir você?  Tornou a perguntar.  Diga-me quem foi que eu o castigarei por isso.

Nunca!  Respondeu o pequenino.  Estas são as chagas do AMOR.

Quem é você?  Qual é o seu nome?  Perguntou o Gigante assustado.

O menino sorriu para ele e disse:

Certa vez você me deixou brincar em seu jardim. Hoje sou eu quem vai levá-lo para  BRINCAR EM MEU JARDIM. 

FIM

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