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História 53 RESSURREIÇÕES RESSURREIÇÃO DO FILHO DA
VIÚVA DE NAIM
_Não chores! Chegando-se tocou o esquife e parando os que o conduziam disse: _Jovem, eu te mando: Levanta-te! Sentou-se o que estava morto e começou a falar; e Jesus o restituiu a sua mãe Todos ficaram de temor e glorificaram a Deus dizendo: _Um grande profeta se levantou entre nós, e: Deus visitou o seu povo. Esta noticia a respeito Dele divulgou-se por toda a Judéia e por toda a circunvizinhança.
_Minha filha faleceu agora mesmo, mas vem, a Tua mão sobre ela e ela viverá. Jesus o seguiu e também os seus discípulos. Tendo Jesus chegado a casa de Jairo e vendo os tocadores de flauta e o povo em alvoroço disse: _Retirai-vos, porque não está morta a menina, mas dorme. E riram-se Dele. Mas afastando o povo, entrou Jesus, tomando a menina pela mão e ela se levantou. A fama deste acontecimento correu por toda aquela terra. RESSURREIÇÃO DE LÁZARO.
Marta sabendo de que Jesus vinha, saiu ao seu encontro e disse: _Senhor, está enfermo aquele a quem amas. Ao receber a noticia, disse Jesus: _Esta enfermidade não é para a morte e sim para a gloria de Deus, a fim de que o filho de Deus, seja por ela glorificado. Ora, amava Jesus a Marta e sua irmã e a Lázaro. Quando pois, soube que Lázaro estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde estava. Disseram-lhe os discípulos: _Ainda agora, os Judeus procuraram apedreja-te e ficas aqui? Respondeu Jesus: _Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. Mas se andar de noite, tropeça porque nele não há luz. E depois lhes acrescentou: Nosso amigo Lázaro, adormeceu, mas vou para desperta-lo. Disseram-lhe então os discípulos: _Senhor, se dorme estará salvo. Marta quando soube que Jesus vinha, saiu ao seu encontro. Disse pois Marta: _Senhor, se estivera aqui, não teria morrido meu irmão, mas sei que tudo o que pedires, vos será concedido. Declarou-lhe Jesus: _Teu irmão há de ressurgir na ressurreição no último dia. Disse-lhe ainda: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E todo o que vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Maria chegou ao lugar e vendo Jesus, lançou-se lhe aos pés dizendo: _Senhor, se aqui estiveras, meu irmão não teria morrido. Vendo-a chorar, Jesus se comoveu e perguntou: _Onde o sepultastes? _Vem e vê, Senhor. Jesus chorou. Então disseram os judeus: _Vede quanto o amava? Mas alguns objetaram: _Não podia ele, que abriu os olhos aos cegos, fazer com que este não morresse? Jesus, agitando-se em si mesmo, encaminhou-se para o túmulo. Era uma gruta, em cuja entrada tinham posto uma pedra e disse: _Tirai a pedra. Disse-lhe Marta: _Senhor já cheira mal, porque já é de quatro dias. Respondeu-lhe Jesus: _Não te disse eu que se creres, veras a gloria de Deus? Tiraram então, a pedra e Jesus, levantando os olhos para o Céu disse: _Pai, graças te dou porque me ouviste. Alias, eu sei que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que creiam que me envias-te.
_Lázaro, vem para fora. Saiu aquele que estivera morto, tendo os pés e mãos ligados com ataduras e o rosto envolto em um lenço. Então lhes disse Jesus: _Desatai-o e deixai-o ir. Muitos dos judeus que tinham vindo visitar a família, creram nele. Outros foram ter com os fariseus e lhes contaram dos feitos que Jesus realizara.
NOTA: No
livro "A Gênese" De Allan Kardec, no capítulo "Os
Milagres do Evangelho" (Ressurreições) diz: Já a ressurreição de Lázaro, o que quer que se diga, não infirma de nenhum modo este principio. Estava, diz-se, há quatro dias no sepulcro; mas sabe-se que há letargias que duram de oito dias a mais. Acrescenta-se que ele cheirava mal, o que é um sinal de decomposição. Essa alegação não prova nada, não mais tendo em vista que, entre certos indivíduos, há decomposição parcial do corpo, mesmo antes da morte, e que exalam um odor de podridão. A morte não chega senão quando os órgãos essenciais á vida são atacados. E
quem poderia saber se ele cheirava mal? Foi a sua irmã Maria que
o disse, mas como o sabia ela? Estando Lázaro enterrado há
quatro dias, ela o supunha, mas disso não podia ter certeza."(Cap.xiv,n.29)
(1) Jesus realizou duas categorias de ressurreição: Ressurreição do corpo, e a ressurreição do espírito. Ressuscitou Lázaro e ressuscitou Madalena. Aos olhos do mundo, a primeira destas duas maravilhas assume maiores proporções, mas aos olhos de Deus, o segundo prodígio é mais belo e mais precioso. O corpo de Lázaro veio a morrer após aquela ressurreição. Madalena nunca mais morreu, porque o que nela ressurgiu, não foi a carne, e sim o espírito. A carne ressurge para a morte, a alma ressurge para a vida. Jesus, ressuscitando Lázaro, ressuscitou um vivo, porque Lázaro já vivia a vida do espírito. Ressuscitando Madalena, ressuscitou um cadáver porque sua alma era morta para a espiritualidade. Jesus ressuscitando Lázaro, afilha de Jairo e o filho da viuva de Naim, teve em mira, promover ressurreições de almas. Operava aqueles feitos, como meio de atingir um fim: ressuscitar espíritos mortos, sepultados em túmulos de carne. Tal
é o que de fato interessava. Em produzir feitos dessa natureza,
esta a missão da qual o Pai o revestiu. Em idêntico sentido se devem tomar estas suas palavras: "Eu sou a ressurreição e a vida, aquele que crê em mim, ainda que esteja morto viverá, e o que vive e crê em mim jamais morrerá." O mundo se maravilha da ressurreição de Lázaro. O Céu se extasia da ressurreição de Madalena. O mundo vê o auge do poder no cadáver redivivo. O Céu vê o fastígio da gloria na alma rediviva. O mundo contempla estupefato, um morto saindo de um túmulo de pedra. O Céu rejubila-se contemplando uma alma resgatada, que sai do negror da devassidão, para as serenas e puras regiões da luz. Lázaro foi um missionário na terra: veio para dar testemunho de que Jesus era o Cristo, o Ungido de Deus. Madalena representa o produto, o resultado, o fruto bendito da obra redentora do Salvador do gênero humano. Jesus foi muito grande ressuscitando Lázaro, mas foi maior ainda ressuscitando Madalena que segundo Humberto de Campos em a "BOA NOVA" psicografada por Francisco Cândido Xavier, vivia em uma vila principesca, entregue aos prazeres materiais. Até ali caminhara ela sobre as rosas rubras do desejo, embriagando-se com o vinho de condenáveis alegrias. No entanto, seu coração estava sequioso e em desalento. Jovem e formosa, emancipara-se dos preconceitos férreos de sua raça. Sua beleza a escravizara aos caprichos de mulher, os mais ardentes admiradores; mas seu espírito tinha fome de amor. O profeta nazareno havia plantado em sua alma novos pensamentos: Depois que ouvira a palavra no Sermão da Montanha, observou que as facilidades da vida, lhe traziam agora um tédio mortal ao espírito sensível. Tudo se lhe tornara árido e triste. Maria chorou longamente, embora não compreendesse ainda o que pleiteava o profeta desconhecido. Entretanto ouvira-lhe as pregações, como convite amoroso, tocando-lhe as fibras mais sensíveis de mulher. Jesus chamava os homens para uma vida nova.
Desejava
se possível, trabalhar nas suas idéias puras e redentoras.
Propunha-se a amar como Jesus amava, sentir com o seu sentimento sublime,
Se necessário saberia renunciar a tudo. Que lhe valiam as jóias,
os banquetes suntuosos se, ao fim de tudo isso, conservava a sua sede
de amor? Envolvida por esses pensamentos profundos, Maria de Magdala penetrou
o umbral da casa de Simão Pedro, onde Jesus parecia espera-la,
tal a bondade com que a recebeu. Tendes a clarividência do Céu e podeis adivinhar como tenho vivido. Sou uma filha do pecado. Todos me condenam. As primeiras lágrimas lhe vieram aos olhos. Ouvi o seu amoroso convite ao Evangelho. Desejava ser das vossas ovelhas; mas será que Deus me aceitaria? O
profeta, sondando as profundezas do seu pensamento, respondeu bondoso:
Maria, levanta os olhos para o Céu e regozija-te no caminho, porque
escutas-te a Boa Nova do Reino e Deus te abençoa as alegrias! Acaso
poderias pensar que alguém no mundo estivesse condenado ao pecado
eterno? Onde então o amor de nosso Pai? Nunca viste a primavera
dar flores sobre uma casa em ruínas? As ruínas são
as criaturas humanas; porem as flores são as esperanças
em Deus. Sobre todas as falências e desventuras próprias
do homem, as benções paternais de Deus descem e chamam.
Sentes hoje esse Sol a clarear o teu caminho e o teu destino! Vai agora
sob essa luz, porque "O AMOR COBRE A MULTIDÃO DE PECADOS" Ouvindo as referencias de Jesus ao amor, Maria acentuou levemente: Senhor, no entanto, tenho amado e tenho sede de amor! Sim, o mundo, redarguiu Jesus, viciou todas as fontes de redenção e é imprescindível compreender que em suas sendas, a virtude tem que marchar por uma porta muito estreita. Geralmente um homem deseja ser bom como os outros, ou honesto como os demais, olvidando que o caminho onde todos passam é de fácil acesso e de marcha sem edificação. A virtude no mundo foi transformada em porta larga da conveniência própria. Há os que amam o que lhe pertence em seu circulo pessoal, os que são sinceros com os seus amigos, os que defendem os seus familiares, os que adoram os deuses do favor. O que verdadeiramente ama, porém, conhece a renúncia suprema a todos os bens do mundo e vive feliz na sua senda de trabalho para o difícil acesso às luzes da redenção. O amor sincero não exige satisfações passageiras que se extinguem no mundo com a primeira ilusão; trabalha sempre sem amargura e sem ambição, com os júbilos do sacrifícios. Só
o AMAR que renuncia sabe caminhar para a vida suprema. Somente o sacrifício
contem o divino mistério da vida. Viver bem é saber imolar-se.
Toda luz humana vem do coração experiente e brando dos que
foram sacrificados. Senhor, doravante renunciarei a todos os prazeres do mundo para adquirir o amor celestial que me ensinaste. Acolherei como filhos os meus irmãos no sofrimento, procurarei os infortunados para aliviar-lhes as feridas do coração, estarei com os aleijados e os leprosos. Nesse instante, Simão Pedro, passou pelo aposento, demandando o interior, e a observou com s certa estranheza. A convertida de Magdala lhe sentiu o olhar glacial quase denotando desprezo, e, já receosa de um dia perder a convivência do Mestre, perguntou com interesse: Senhor, quando partirdes deste mundo, como ficaremos? Certamente que partirei, mas estaremos reunidos eternamente em espírito. Quanto ao futuro é necessário que cada um tome a sua cruz, em busca da porta estreita da redenção, colocando acima de tudo a fidelidade a Deus, e, em segundo lugar, a perfeita confiança em si mesmo. Vai, Maria!... Sacrifica-te e ama. Longo é o caminho, difícil é a jornada, estreita a porta; mas a fé remove os obstáculos... Nada temas, é preciso crer somente. Mais tarde, depois da sua gloriosa visão de Cristo ressuscitado, Maria voltou à Galiléia, de Jerusalém, seguindo os passos dos companheiros queridos. A mensagem da ressurreição espalhara uma alegria infinita. Por isso as mulheres mais desventuradas ainda possuem no coração o gemem divino para redenção da humanidade inteira. Seu sentimento de ternura e humildade será em todos os tempos o grande roteiro para a iluminação do mundo, porque SEM O TESOURO DO SENTIMENTO TODAS AS OBRAS DA RAZÃO HUMANA PODEM PARECER COMO UM CASTELO DE FALSOS ESPLENDORES. E será ainda à mulher que buscaremos confiar a missão mais sublime na construção Evangélica dentro dos corações, no supremo esforço de iluminar o mundo.
Não era Jesus o poderoso filho de Deus? Que consolava os tristes, ressuscitava os mortos, sarava os enfermos de doenças incuráveis? Porque não conjurava a traição de Judas com suas forças sobrenaturais? Porque se humilhava assim sangrando nas ruas de Jerusalém, submetendo-se ao ridículo e a zombaria? Então o emissário de Deus, deveria ser crucificado entre dois ladrões? Enquanto estas questões eram examinadas de boca em boca, a lembrança do Mestre ficava relegada a plano inferior, olvidada a sua exemplificação e a grandeza dos seus ensinamentos. O barco da fé não soçobrara inteiramente, porque ali estavam as lágrimas do coração materno, trespassado de amargura. O messias redivivo, porém, observava a incompreensão de seus discípulos, como o pastor que contempla o seu rebanho desarvorado. Desejava fazer ouvida a sua palavra divina, dentro dos corações atormentados; mas só a fé ardente e o ardente amor conseguem vencer os abismos de sombra entre a Terra e o Céu. E todos os companheiros se deixavam abater pelas idéias negativas. Foi então quando na manhã do terceiro dia a ex- pecadora de Magdala se acercou do sepulcro com flores e perfumes. Queria, uma vez mais contemplar o Mestre adorado, para cobri-lo com o pranto do seu amor purificado e ardoroso. No seu coração estava aquela fé radiosa e pura que o Senhor lhe ensinara e, sobretudo, aquela dedicação divina, com que pudera renunciar a todas as paixões que a seduzira no mundo. Maria Madalena ia ao túmulo com amor e só o amor pode realizar os milagres supremos. Estupefata, por não encontrar o corpo, já se retirava entristecida, quando uma voz carinhosa e meiga fala brandamente aos seus ouvidos. MARIA!.... Ela supôs ser o jardineiro, mas em breves instantes reconhecia a voz inesquecível do Mestre que a contemplava com inolvidável sorriso. Quis atirar-se-lhe nos pés, beijar-lhe as mãos num suave transporte de afetos como faziam nas pregações do Tiberiades; porém com um gesto de ternura, Jesus a afastou esclarecendo: Não me toques,pois ainda não fui a meu Pai que esta no Céu.... Instintivamente, Madalena se ajoelhou e recebeu o olhar do Mestre, num trasbordamento de lágrimas e inolvidável ventura. Era a promessa de Jesus que se cumpria. A realidade da ressurreição A mensagem da alegria, ressoou, então, na comunidade inteira. Jesus ressuscitara! O Evangelho era a realidade imutável. Em todos os corações pairava uma divina embriaguez de luz e júbilo celestial. Levantava-se a fé, renovava-se o amor, morrera a dúvida e reerguera-se o ânimo em todos os espíritos. Desde essa hora, a família cristã se movimentou no mundo para nunca mais esquecer o exemplo do Messias. A luz da ressurreição, através da fé ardente e do ardente amor de Maria Madalena, havia banhado de claridade imensa a estrada cristã, para todos os séculos terrestres. É por isso que todos os historiadores das origens do Cristianismo param a pena, assombrados ante a fé profunda dos primeiros discípulos que se dispersaram pelos desertos e grandes cidades para a pregação da Boa Nova e observando a confiança serena de todos os Mártires que se tem sacrificado na esteira infinita do tempo pela idéia de Jesus, perguntam espantados, como Ernesto Renan, numa de suas obras: Onde esta o sábio da Terra que já deu ao Mundo tanta alegria quanto a carinhosa Maria de Magdala? FIM |