História 81

O FUJÃO

De Roque Jacinto

Tema: Amor ao Lar

          Paulinho fugira de casa. Por mais que quisesse ir sozinho, Pitoco o cãozinho, ia a acompanhá-lo.

          _Não volto mais, nunca mais... Dizia.

          _Eu também, dizia Pitoco.

          O menino bateu em Pitoco com uma vara. Tudo inútil porém. Pitoco teimava em segui-lo.

          _De o fora Pitoco!

          _Ahumm- vou ajudar você, rosnou o cãozinho.

          Paulinho disse: Adeus! E tudo ficou para traz porque ele seguiu o seu rumo.

          Os pais de Paulinho, ficaram desesperados.

          Ele, contudo, lá longe fazia mil artes. Subiu numa laranjeira derrubando os frutos e quebrando-lhe os galhos. A árvore pobrezinha, ficou a chorar.

          _Ai... Ai... Ajude-me por amor de Jesus!

          A vaquinha que pastava próximo, compadecida disse: Pobre infeliz.

          Na chácara de seu Zico, além de quebrar porteira da granja, soltou todas as galinhas, e Pitoco latia furioso.

          _Au... uf... uf...Au... Au...

          Paulinho, pendurou-se na traseira de um caminhão, até que uma sacudidela maior o atirou ao chão. Pitoco, ficou a lamber-lhe os arranhões.

          _Acuda... gritava!

          _Estou ajudando disse o cachorrinho.

          Já era noite. Paulinho e Pitoco ficaram na estrada deserta. Percebeu que não mais sabia o caminho de volta. E choramingou de fome.

          _Ruuuumm... Fez Pitoco.

          _Que é Pitoco?

          _Siga-me. E, apanhando Paulinho pela barra da calça, lá se voltou para a direção do lar abandonado.

          Na volta enfrente a granja de Seu Zico, Paulinho foi pedir um pedaço de Pão. Envergonhado pelo que fizera, contou tudo ao seu Zico, principalmente, a arte daninha de soltar as galinhas.

          _Quero recolher as galinhas.

          _Está bem Paulinho.

          Querendo reparar o mal, pediu licença para reunir de novo as galinhas no galinheiro. Seu Zico concordou. E lá se foram os três.

          _Au... Au... Au... ladrava o cachorro.

          _Co... co... Ro...Co... cacarejavam as galinhas.

          _Chiii... Chiiii... Cibaaa... Chibaaa... gritava Paulinho atrás das galinhas.

          Sempre puxado por Pitoco, Paulinho ouviu a laranjeira chorando. Apiedou-se dela e com lenços amarrou os galhos partidos. Pronto disse contente, esfregando as mãos. Perdoe-me! Disse.

          _Sim respondeu a laranjeira.

          Já em casa, confessou-se arrependido. A mãe disse-lhe:

          _Ainda bem que você teve a coragem de corrigir os seus erros. Se errar é mau, pior é ficar indiferente aos males praticados.

          _Este é o seu Lar! Disse a mamãe.

          _Nunca mais fugirei, disse Paulinho.

          Abraçando Pitoco, o bom amigo, Paulinho guardou muito bem a lição.

          A nossa casa, nosso lar é o MELHOR LUGAR DO MUNDO!

          _É claro... rosnou Pitoco!

FIM

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