História 82

JUCÁ LAMBISCA

De Casimiro Cunha

Psicografado por Francisco C Xavier

Tema: Gula

Para crianças de 5 a 12 Anos

 

Oração da Criança (Emmanuel)

          "Amigos.

          Ajude-me agoira, para que eu te auxilie depois. Não me relegues ao esquecimento, nem me condenes à ignorância e a crueldade. Venho ao encontro do tua aspiração, de teu convívio e de tua obra.

          Em tua companhia, estou na condição da argila nas mãos do oleiro.

          Hoje sou sementeira fragilidade, promessa...

          Amanhã, porém serei tua própria realização.

          Corrige-me, com amor enquanto a sombra do erro envolver-me o caminho, para que a confiança não me abandone.

          Proteja-me contra o mal.

          Ensina-me a descobrir o bem.

          Não me afastes de Deus, e estimula-me a conservar o amor e o respeito que devo as pessoas, aos animai, e as coisas que nos cercam. Não me negues a tua boa vontade, teu carinho e tua paciência. Tenho tanta necessidade do teu coração, quanto a plantinha tenra precisa da água, para viver e prosperar.

          Dá-me tua bondade e dar-te-ei a cooperação. De ti depende que eu seja pior ou melhor amanhã." (Emmanuel)

          Meus filhos, não somos peixes

          E a comida não é isca

          Leiamos juntos a estória

          Do pobre Jucá Lambisca

          Rabugento e malcriado

          Esperto como faísca

          Era um menino guloso

          O nosso Jucá Lambisca

          Toda hora na dispensa

          Pé macio e mão ligeira

          O maroto parecia

          Um rato na prateleira.

          No instante das refeições

          Afligindo os próprios pais

          Ele comia depressa

          Repetindo: Quero mais!

          Gritava: Quero mais peixe

          Quero mais leite e mais pão

          Quero mais sopa no prato

          Mais arroz e mais feijão.

          Dona Nicota falava

          Ao vê-lo sobre o pudim

          _Meu filho, escute! Você

          Não deve comer assim!

          Mas o Jucá respondão

          Gritava, erguendo a colher:

          _A senhora nada sabe

          _Eu como quanto quiser.

          Na escola, Jucá furtava

          Pastéis, bananas pepinos

          Tomando a força a merenda

          Das mãos dos outros meninos.

          A vida de nosso Jucá

          Era comer e comer

          Mas foi ficando pesado

          E a barriguinha a crescer

          Gabriela a companheira

          Da cozinha e do quintal

          Falava triste: _Ah! meu Jucá,

          A sua vida vai mal.

          Não valiam bons conselhos

          Do papai ou da vovó,

          Fugia de todo estudo

          Queria a panela só...

          Espíritos benfeitores

          No Lar em prece, ao seu lado,

          Preveniam caridosos

          _Meu filho tenha cuidado.

          Mas depois das orações,

          O nosso Jucá sem fé

          Comia restos do prato

          Na terrina e no cuité.

          A todo instante aumentava

          A grande comedoria

          Sujava a cozinha e copa

          Procurando papa fria.

          Um dia caiu doente

          E o doutor João do sobrado

          Receitou: Este garoto

          Precisa comer regrado

          Mas alta noite ele foge...

          E mais tarde a Gabriela

          Viu que o Jucá estava morto,

          Debruçado na gamela.

          Muito triste o caso dele

          Citado! Embora gordinho,

          O Jucá morreu cansado

          De tanto comer toucinho.

          NA ESPÍRITUALIDADE

          Médium Waldo Vieira

          Desencarnado, o Lambisca

          Na vida espiritual

          Estava do mesmo jeito

          E o barrigão tal e qual

          Acorda num campo lindo....

          E agora, que não mais dorme

          Vê muita gente a sorrir

          Por vê-lo de pança enorme.

          Tem a impressão de trazer

          O peso de um grande bumbo

          Quer levantar-se, porém

A pança cai como chumbo.

E o Jucá revoltado

Ergue os punhos pesadões

          Contra tudo e contra todos

          A murros e pescoções.

          Depois berra:- Esta barriga

          É grandona mas é minha

          Eu quero comer no tacho

          Quero morar na cosinha!

          Um sábio apareceu e fala

          _O Lambisca não regula

          Enlouqueceu de repente

          De tanto cair na gula.

          Foi preciso, então prende-lo...

          Amarrado e furioso,

          O pequeno parecia

          Um cachorrinho raivoso.

          Os protetores, após

          Guarda-lo em corda segura

          Oravam, dando-lhe passes

          Com bondade e com docura.

          Viu-se logo o olhar do Jucá

          Fazer-se brando, e mais brando....

          O menino foi dormindo

          E a barriguinha murchando.

          Os amigos decidiram,

          Assim como um grande povo,

          Que o Jucá afim de curar-se

          Devia nascer de novo.

          Lambisca a dormir, coitado,

          Ele tão forte e mandão,

          Renasceu muito pequeno,

          Um simples bebê chorão.

          E para esquecer a gula

          Cresceu doente e magrinho

          Só bebia caldo leve

          Sem feijão e sem toucinho.

FIM

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