História 93

"Verdade e Liberdade"

Romance de Maria Rodrigues do Amaral

Prefácio

Índice

" 01 Silmara

" 02 As crianças

" 03 Os velhinhos

" 04 Vivenda da Colônia

"05 Vovó Adelina

" 06 Bônus-Hora

" 07 Cecília

" 08 As flores

" 09 Passeios

" 10 Conferências

" Cecília psicóloga

" Silmara professora

" A família de Cecília

" Evangelho no Lar

" Bosque das águas

" Meninos de rua

" Volta à Terra

" Noções de Lar

" Pontos essenciais para os cônjuges

" Conclusão

 

VERDADE E LIBERDADE

Prefácio

Este é um romance espírita, fonte de luz para os leitores de todas as idades: crianças, jovens e adultos.

Com simplicidade e beleza, a querida tia Angelina nos mostra, pôr meio de seus personagens, a vida numa Colônia Espiritual, desde o momento da chegada de um espírito à sua verdadeira , até a sua preparação para a volta à vida corpórea, pela reencarnação.

Podemos acompanhar Silmara, nossa jovem protagonista, bem como seus amigos em varias situações de trabalho junto a necessitados, principalmente crianças e velhinhos, mostrando assim a existência de asilos , creches e hospitais no plano espiritual.

Somos convocados a dar atenção aos graves problemas sociais que mancham a Terra, como o do menor abandonado.

Em especial para os jovens, o livro traz uma orientação importantíssima sobre a constituição de um lar cristão e sua função no novo milênio.

Além de nos instruir pois participamos até mesmo de uma conferência cultural durante a leitura , podemos nos deliciar com a suavidade de um passeio pelo Bosque das Águas, lugar cheio de paz e harmonia.

São cenas descritas e ilustradas com tanta beleza, que nos deixam vislumbrar algo de felicidade futura que aguarda aqueles que sabem, em vida, cumprir a missão assumida diante do Senhor.

Maria Helena Mariottini de Lima

 

Silmara


Silmara teve muitas encarnações. Viveu em épocas remotas, com outros nomes e outras condições sociais. Embora tenha vindo em corpo masculino uma única vez, continuou o seu aperfeiçoamento espiritual como mulher por diversas encarnações. Na última, recebeu o nome de Silmara.

Hoje vive na espiritualidade, e se apresenta na figura de uma linda jovem, de compleição harmoniosa e bela, a mesma de sua mais recente encarnação.

Seu rosto resplandece pelo olhar, que é bondoso. Seus cabelos são lisos e brilhantes, chegando além dos ombros. Seu porte é de princesa. Sua voz é doce e pausada, e tudo nela demostra o ser evoluído que é.

Além da meiguice espiritual, é inteligente e culta.

Na Colônia em que vive, junto a outras criaturas afins no desejo do Bem, trabalha em favor de muitos necessitados em evolução.

As crianças

Seu desempenho amoroso é mais assíduo entre as crianças e os velhinhos. Com as crianças, sente-se à vontade e feliz, pois nas duas últimas encarnações foi professora, com especialização em Pré- Primário.

Sua família era espírita. Silmara freqüentou desde a evangelização primária até a mocidade, estudiosa, a filosofia espiritista. Leu o Livro dos Espíritos, o Livro dos Médiuns e o Evangelho de Jesus, à luz da doutrina que professava.

Conheceu ilustres escritores, conferencistas e inúmeras mensagens trazidas através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier. Ficou emocionada com a mensagem da querida Meimei, quando fala como se fora uma humilde criança, na folha intitulada "Mensagem de Criança":

“Dizes que sou o futuro.

Não me desampares o presente.

Dizes que sou a esperança da paz,

Não me induzas à guerra.

Dizes que sou a promessa do bem,

Não me confies ao mal.

Dizes que sou a luz de teus olhos,

Não me abandones às trevas.

Não espero somente o teu pão,

Dá-me luz e entendimento.

Não desejo tão só a festa do teu carinho,

Suplico-te amor com que me eduques.

Não te rogo apenas brinquedos,

Peço-te bons exemplos e boas palavras.

Não sou simples ornamento em teu caminho,

Sou alguém que te bate à porta em nome de Deus.

Ensina-me o trabalho e a humildade, a devoção e o perdão. Compadece-te de mim e orienta-me para que eu seja bom e justo!....

Corrige-me enquanto é tempo, ainda que eu sofra!....Ajuda-me hoje para que amanhã eu não te faça chorar.....”

Os velhinhos

Silmara dedica também muitas horas de seus dias aos velhinhos. Acha que eles são as crianças que envelheceram. São tão frágeis e simples como os pequeninos e, ao mesmo tempo, tão necessitados de carinho e compreensão... Carentes de atenção e cuidados!

Assim como na Terra, nas Colônias espirituais estão os asilos para aqueles que deles necessitam. Os mesmos velhinhos que se desprenderam do mundo físico, agora lá se encontram: alguns aguardando nova volta à Terra, outros esperando a vinda dos familiares que parecem tê-los olvidado. Eles se ressentem disso e falam com mágoa da indiferença de alguns filhos que os relegaram ao esquecimento.

Silmara sente com eles essa dor, e faz de tudo o que lhe é possível para amenizar-lhes esse trauma. Não só ela, mas outros colaboradores da Colônia. Juntam-se em caravanas de visitas, levando doces, agasalhos e outros agrados para animá-los em suas jornadas.

Alguns ficam sabendo que estão no plano espiritual e aceitam de bom grado o que o destino lhes reservou. Outros, porém, ainda se encontram em período de incompreensão e por isso não se deve preocupá-los com muitas informações.

Tudo obedece à lei da natureza, que nos ajuda a caminhar vagarosamente.

Diz Antônio Nobre , em Parnaso do Além Túmulo:

“Oh! figuras de velhinhos,

Que andais dormitando ao léu.

Como são belos os ninhos,

Que vos esperam no Céu!”

Vivenda da Colônia

Silmara mora com sua avó materna, Adelina, nessa colônia do espaço. Logo quando desencarnou, ainda muito jovem, encontrou-se na casa espiritual de sua avozinha. Essa pequena residência tem dois quartos, sala, cozinha, banheiro, uma varanda de frente, toda enfeitada com lindos vasos de folhagem e flores, e um pequeno jardim com trepadeiras coloridas e acácias amarelas.

Nos fundos, pela saída da cozinha, há um caramanchão de madeira trançada e alguns bancos, além de muitas flores e folhagens. É prazeroso estar ali para meditar, orar ou ler.

Vovó Adelina

Conta Silmara:

“Minha avó veio para esta Estância do Espaço depois de ter estado na Terra e cumprido muito bem a sua missão. Foi esposa, mãe e avó, com Honra ao Mérito. Apesar de religiosa e muito caridosa, não foi fácil adquirir essa pequena herdade. Antes, morou em albergues e alojamentos, e teve que trabalhar muito nas casas de assistência da Colônia”.


Bônus - Hora

Silmara prossegue:

“Vovó ganhou muitos bônus – horas e, felizmente, com a saúde renovada logo depois do desencarne, foi laboriosa e constante em suas atividades, podendo, com isso, conseguir este recanto aconchegante para esperar os que da Terra pudessem, merecendo, ali morar.

Quanto a mim, sinto-me premiada, pois vim, para cá, com apenas vinte e três anos . Antes, formei-me e lecionei por um tempo. Fiquei sabendo, aqui, que, em vida terrena anterior, eu já fora professora.

Nas minhas recordações, lembro-me muito de meus pais e irmãos. Vovó me disse que fizesse orações por eles, mas que procurasse não os lembrar com constância, porque faria mal a eles e a mim.

Isso eu havia aprendido realmente com a Doutrina Espírita. Pôr em prática é que fica mais difícil, porém, não impossível”.

Cecília

“Aconteceu que recebi de boas vindas a visita de Cecília, uma jovem que morava com seus familiares, perto de nós. Essa senhorita já havia conhecido muitas coisas importantes, tais como estar em uma escola e obter informações várias, que nos deveriam interessar na presente moradia. Dentre outros, assuntos como volitar (deslizar pelo alto), pensar nos outros e ser sentida por eles à distância (telepatia), alimentar-se e vestir-se no plano espiritual, fabricar utensílios úteis faziam parte de seu repertório.

Também tinha o hábito de visitar ambientes como teatros, auditórios, conservatórios musicais, escolas de Belas Artes (com desenho, pintura e escultura) e assistir a conferências programadas pela Casa de Cultura, além de conhecer lugares pitorescos, como cachoeiras lindíssimas, bosques, flores e pomares”.

As flores

“São maravilhosas! E têm um perfume delicioso! Lembram as flores da Terra, porém ainda mais belas. Aveludadas, brilhantes e de cores variadas e vibrantes. Algumas, conforme a disposição da luz, apresentam tonalidades diferentes.

As violetas vão do roxo ao tom lilás, e as acácias pendem dos galhos, com tonalidades que vão do laranja ao amarelo limão.

As hortênsias são grandes e de todas as cores. As folhas reluzentes e de várias tonalidades. Parece que nelas foi passado um verniz que lhes dá um brilho encantador.

Tudo isso devido ao amor das pessoas que as cultivam e também ao magnetismo salutar do próprio ambiente da Colônia”.

Passeios


“Visitei com Cecília pomares e plantações de ervas medicinais, verduras e legumes, tratados com tanto carinho quanto as flores. Vi com grande satisfação uma floresta e uma cascata que descia inclinada de uma elevação rochosa. Vendo-a do alto, pareceu-me um recanto do Céu. Em uma das margens, grandes plantações de árvores frutíferas. Ao longe, algumas montanhas e um pôr-do-sol inesquecível.

Parecia que a mão de Deus pousava naquela natureza em harmonia reinante”.

Conferência

“Cecília convidou-me para assistir a uma reunião em um auditório, onde ouviríamos um excelente orador.

Depois que minha avó voltou de seu plantão no hospital, pedi licença para aceitar o convite de Cecília, o que me foi concedido. Arrumei-me e esperei por minha amiga, que não demorou a chegar.

Vinha bem trajada, com um vestido azul de rendilhas nos punhos e na gola. Eu penteei os cabelos, prendendo-os, atrás, com uma fivela vermelha.

Tomamos um coletivo espacial, chamado aeróbus, que é uma das conduções daqui. Não demorou uns vinte minutos e já chegamos a uma grande praça, muito iluminada e ornamentada com uma fonte luminosa. Havia ali também muitos bancos e plantas.

Um prédio imponente, com grande porta e janelas, apresentou-se-nos em seguida. Entramos depois de subir alguns degraus. Havia um largo corredor. Subimos mais escadas, pois o grande salão ficava na parte superior do sobrado.

Já muita gente bem vestida ali se encontrava, à espera da palestra anunciada. Apresentou-se um magnífico coral, que abrilhantou ainda mais a esperada exposição.

Naquela noite, ouvimos uma nobre oradora, que apresentou o tema Começar a Fazer o Bem.

Essa senhora, ainda jovem, vinha de uma Colônia próxima e foi convidada por sua reconhecida capacidade em assuntos Evangélicos e Doutrinários.

Entrou no recinto junto a várias companheiras espirituais, fez uma sentida prece e logo começou a explanar o seu tema.

Disse ela: ‘Desde que sintamos o desejo sincero de ser melhores, haverá também o desejo de fazer o bem. Vem-nos, então, aquele pensamento cristão de fazer aos outros aquilo que desejamos que nos façam. Isto vem a ser uma constante em nossa vida.

Assim passamos a ver e sentir as coisas que gostaríamos que nos fizessem, e com isso mudamos a nossa maneira de pensar e agir.

Como o nosso tema é Começar a Fazer o Bem, vagarosamente começaremos a fazê-lo. Num exame de consciência, todas as noites, antes do repouso, pensaremos como nos aconselha o eminente filósofo Pitágoras :

" Que fiz eu hoje?

E hoje o que olvidei?

Se foi o bem, persevero,

Se foi o mal, abstenho-me."

Quantas idéias benignas e quantas boas sugestões nos são oferecidas pelos irmãos que nos querem bem! Sim, porque, como nos ensina o Apóstolo Paulo, na vigilância do espírito, sentimos as grandes mensagens dos que se afinam com a nossa CONVERSÃO.

Esta é a Caridade que primeiramente fazemos a nós mesmos. Depois desse despertar de consciência, certamente saberemos o que de melhor podemos oferecer aos mais empobrecidos dos nossos irmãos do caminho. Falo, aqui, não só para os irmãos espirituais de nossas Colônias mas para todos os encarnados da Terra, porque sei que estas mensagens são distribuídas por trabalhos mediúnicos, livros, noticiários de toda espécie, e outros meios de comunicação, tais como cinema, teatro, televisão e Internet.

Reproduzamos as palavras de Jesus, quando diz: Buscai a Verdade, e a verdade vos libertará.

Queridos, gostaria de dizer mais, porém tudo o que é bom deve ser distribuído em gotas, aos poucos e devagar. Se uma gotinha do que dissermos for benéfica para alguns, ficaremos agradecidos, pois consideramos ter sido produtivo o nosso trabalho.

Alguns mensageiros do Senhor na Espiritualidade, como Meimei, Eurípedes, Bezerra e Caibar, além de outros, enviam mensagens de grande benefício para muitos. Caibar Schutel, por exemplo, oferece uma página de muita importância para os Espiritistas, intitulada SEJA VOLUNTÁRIO:

Seja voluntário na Evangelização Infantil. Não aguarde convite para contribuir em favor da BOA- NOVA no coração das crianças. Auxilie a plantação do futuro.

Seja voluntário no Culto do Evangelho no Lar. Não espere a participação de todos os companheiros para iniciá-lo. Se preciso, faça-o sozinho .

Seja voluntário no Templo Espírita. Não aguarde ser eleito Diretor para cooperar. Colabore, sem impor condições, em algum setor, hoje mesmo.

Seja voluntário no estudo edificante. Não espere que os outros lhe chamem a atenção. Estude por conta própria.

Seja voluntário na mediunidade. Não aguarde o desenvolvimento mediúnico, sistematicamente, sentado à mesa de sessões. Procure a convivência dos Espíritos superiores, amparando os infelizes.

Seja voluntário na assistência social. Não espere que lhe venham puxar o paletó rogando auxílio. Busque os irmãos necessitados e ajude como puder.

Seja voluntário na propaganda libertadora. Não aguarde riqueza para divulgar os princípios da fé. Dissemine, desde já, livros e publicações doutrinárias.

Seja voluntário na Imprensa Espírita. Não espere de braços cruzados a cobrança da assinatura. Envie o seu concurso, ainda que modesto, dentro de suas possibilidades.

Sim, meu amigo. Não se sinta realizado. Cultive espontaneidade nas tarefas do Bem. “A sementeira é grande e os trabalhadores são poucos”. Vivemos os tempos da renovação fundamental. Atravessemos, portanto, em serviço, o limiar da Era do Espírito!

Ressoam os clarins da convocação geral para as fileiras do Espiritismo. Há mobilização para todos. Cada qual pode servir a seu modo.

Aliste-se enquanto é tempo e você se encontra válido. Assuma iniciativa própria. Apresente-se em alguma frente de atividade renovadora e sirva sem descansar, porque, quase sempre, Espírita sem serviço é alma a caminho de tenebrosos labirintos do UMBRAL .

SEJA VOLUNTÁRIO NA SEARA DE JESUS, NOSSO MESTRE E SENHOR!

A querida Meimei nos envia também mensagens dirigidas à mulher, à proteção das crianças, e ao cultivo do Evangelho no Lar. É de Meimei:

ORAÇÃO À MULHER

Mulher, missionária da Vida.

Ampara o homem para que o homem te ampare.

Não te conspurques no prazer, nem te mergulhes no vício.

A felicidade na Terra depende de ti, como o fruto depende da árvore.

Mãe, sê o anjo do Lar.

Esposa, auxilia sempre.

Companheira, atende o lume da esperança .

Irmã, sacrifica-te e ajuda.

Mestra, orienta os caminhos.

Enfermeira, compadece-te.

Fonte sublime, se as feras do mal te poluírem as águas, imita a corrente cristalina que, no serviço infatigável a todos, expulsa do próprio seio a lama que lhe atiram.

Por mais que te aflija a dificuldade, não te confies à tristeza ou ao desânimo.

Lembra os órfãos, os doentes, os velhos e os desvalidos da estrada que esperam por teus braços, e sorri com serenidade para a luta. Deixe que o trabalho tanja as cordas celestes do teu sentimento, para que não falte a música da harmonia aos pedregosos trilhos da existência terrestre.

Teu coração, mulher, é uma estrela encarcerada. Não lhe apagues a luz, para que o AMOR RESPLANDEÇA SOBRE AS TREVAS.

Eleva-te, elevando-nos. Não te esqueças de que trazes nas mãos a chave da vida, porque a chave da vida é a GLÓRIA DE DEUS.

E assim, queridos ouvintes, depois de convidá-los a estas leituras que edificam nosso coração, nossa mente e nossa compreensão, despeço-me hoje, agradecendo e pedindo a Deus nosso Pai e a Jesus nosso Mestre que nos ajude a pensar e agir no Bem, para o nosso próprio benefício e benefício dos queridos irmãos que nos cercam, e que necessitam de muita ajuda também.

Deus nos abençoe’.

E terminada a sua elocução, a nobre palestrante da noite retirou-se ao som de números musicais. Eu e Cecília retornamos felizes e alegres, prontas para contarmos em nossas casas A MARAVILHA QUE DEUS TEM A OFERECER ÀQUELES QUE O AMAM ( Seg. Paulo Apóstolo)”.

Cecília Psicóloga

“Cecília conta que é psicóloga e que faleceu em decorrência de um acidente. Soube disso depois de muito tempo de vida na espiritualidade.

Dormia e acordava, tornava a dormir. Sentia muitas dores de cabeça e só depois de ser atendida em um hospital da Colônia é que aos poucos começou a melhorar. Seu médico e enfermeira cuidaram com muito carinho de sua recuperação. Depois veio definitivamente para sua residência na Colônia, onde já moravam sua mãe e Alexandre, seu irmão mais velho.”

“Meu pai é que não vive ainda aqui – diz Cecília – porque está em outra estância distante, em busca de aperfeiçoamento. Já fomos visitá-lo, porém não nos é possível vê-lo continuamente, em virtude de diferenças de ambiente, das vibrações e fluidos mais pesados do local em que habita. Mesmo assim estamos satisfeitos, pois sabemos que ele cumpre sua pena sem rebeldia, procurando sempre uma melhora mais rápida para um dia chegar até nós. Como vê, a família pode permanecer unida mesmo com a falta provisória de um ou de alguns de seus membros. Meu pai está resolvido a buscar a sua elevação espiritual, e esperamos que isso se dê o mais breve possível.”

Ela continua:

“Quanto a minha profissão, continuo praticando-a aqui. Faço estágio num hospital psiquiátrico, onde realizo entrevistas empregando método de observação interna ou externa. No primeiro tipo, o paciente observa as suas próprias experiências e as relata (emoções, interesses, recordações, etc.). Essas observações vão servir para os psicólogos ou médicos conhecerem alguns fatos sobre a natureza do entrevistado. Já no segundo tipo, o psicólogo procura conhecer as reações externas do paciente, seu modo de agir, suas expressões fisionômicas, gestos, realizações, etc.

A Psicologia influencia muito na educação, na qual tem grande aplicação.

Desculpe-me, Silmara, não pretendo dar aula sobre psicologia, mas simplesmente relatar o tipo de trabalho que faço no fichário do hospital que estagio.”

“Eu sei – disse-lhe. No meu aprendizado, também estudei um pouco dessa admirável matéria. Só a prática no magistério é que vem evidenciar a necessidade desse conhecimento, tão importante na vida do professor para que ele possa realmente ajudar os alunos”.

“Ah! Mas devo contar – continua Cecília – que lá no hospital, além de muitos como eu, que procuramos nossa melhora individual, existem médicos gabaritados atendendo pacientes, com carinho e abnegação constante. Entre eles está o Dr. Marco Antônio, que eu muito admiro. É um profissional competente e ativo. Nada lhe passa despercebido. Atende aos seus assistidos com dedicação espontânea. Às vezes, fico olhando-o, disfarçadamente, procurando fingir que estou despreocupada com sua presença, mas não é nada disso. Olho para ele admirada de seu porte esbelto. Alto, louro e de cabelos ligeiramente ondulados. É uma simpatia de pessoa...”

“Olha! – exclamei. Você está enamorada desse tal doutor!”

E ela respondeu: “Não sei ainda. Sinto que ele é tão belo na aparência como no ser espiritual. Um dia vou criar coragem e convidá-lo para um chá em casa, e você virá também e vai constatar a verdade do que digo. Será que vai aceitar? Fico pensando se também ele não se encontra comprometido com alguém, ou se terá em sua vida um mistério qualquer que o deixa assim, tão somente preocupado com seus afazeres de médico...

Vou ao hospital três vezes por semana e já me habituei a vê-lo. Vem verificar o fichário e me diz um bom dia cheio de amabilidades e simpatia. Chegou mesmo a conversar um pouco comigo na última vez em que lá estive : Cecília, disse-me ele, Está hoje mais bonita. Fica-lhe bem esse verde do vestido. Acho que combina com seus olhos e cabelos que são da cor do mel. E eu lhe agradeci.

Será que está notando que o admiro, Silmara? Acho que não, pois disfarço muito bem...

Bem, assim estão as coisas, Silmara. Na próxima vez que Marco Antônio conversar comigo, vou convidá-lo para um chá e você irá também.”

Silmara Professora

Cecília foi a convite da amiga visitar uma das escolas em que leciona, na Colônia. “Venha conhecer o estabelecimento e verá as mais lindas crianças do lugar”, disse Silmara. Foram ambas, e Silmara mostrou-lhe as instalações. Ali, sob a vegetação verde claro de um gramado e algumas árvores, crianças brincavam alegremente. Havia um canteiro de rosas, cercadas por causa dos espinhos, de onde vinha um perfume suave e inebriante.

Entraram em um amplo salão, onde estavam as crianças recém- nascidas. Silmara falou: “Aqui é a Creche onde os pequeninos desencarnados recebem toda a assistência necessária de muitas e abnegadas mães espirituais”.

André Luiz conta, em seu livro Entre a Terra e o Céu, que as mães do plano físico vêm também visitá-las em sonhos ou no repouso do sono. Não só as crianças recém- nascidas como as de maior idade. É uma alegria vê-las, nessas ocasiões, com seus bebês nos braços.

Sabe-se que, enquanto os pequeninos estiverem programados para ficar na espiritualidade, aqui estarão muito bem amparados.

Depois visitaram diversas salas de aula, cada qual com seus alunos, de idades diferentes. Somente crianças doentes ou sofrendo de anormalidades que não lhes permita o convívio com as demais crianças é que estão separadas.

Essas se encontram em hospitais ou em locais onde são observadas para tratamento.

Conta Cecília que as crianças de Silmara eram da Pré- Escola. “Fui para a classe e fiquei até o término da aula. Primeiro fizeram oração. As instruções recebidas pela professora foram sobre comportamento e higiene. Nos trabalhos manuais, as crianças fizeram colagem de flores e árvores.

No recreio, brincaram bastante no parque. Depois foi-lhes servido um lauto lanche.

Voltando para a sala, as crianças cantaram e recitaram para mim:

Visitante ilustre e amiga

Mui bem vinda sejais entre nós

Nossa escola vos saúda

Através de nossa voz

O melhor que podemos vos dar

É a nossa amizade Cristã
É a nossa alegria

E a nossa gratidão”.

. Cecília ficou emocionada. Não esperava tão carinhosa acolhida dos pequeninos.

Voltaram satisfeitas pelo dever cumprido. Sim, porque a melhor recompensa é o sentimento de paz e alegria que todo bom trabalho nos oferece. E, só de ver aquelas crianças tão bem assistidas naquele recanto encantador, fez lembrar Jesus, que diz: "Deixai vir a mim as criancinhas, pois delas é o Reino dos Céus".

A família de Cecília

Silmara conta:

“Prometi que iria à casa de Cecília. Lá conheci D. Ana, a mãe, e Alexandre, seu irmão. A conversa foi agradável. D. Ana, muito amável, mostrou-me a casa, o jardim e a bela varanda, onde nos sentamos para trocar idéias.

Fiquei sabendo que viviam há muito na Colônia e que Alexandre foi um estudioso da Astronomia na Terra, continuando seus estudos na Espiritualidade. Diz ele que a Ciência do Céu, além de bela, traz muita admiração pelas coisas criadas por Deus.

Grandes estudiosos do assunto trouxeram para a humanidade muitos benefícios. Assim, lembra-nos ele de Pitágoras, o célebre astrônomo, matemático e filósofo, além de Tales de Mileto, Copérnico, Galileu, Kepler, Nostradamus e outros.

‘Um notável e recente astrônomo foi Camille Flammarion’, disse-me ele.

‘Já sei’, respondi. ‘Aquele companheiro de Allan Kardec que, aceitando a doutrina espírita, colaborou na divulgação da mesma, considerada a terceira revelação de Deus aos homens?’

‘Isso mesmo’, disse Alexandre. ‘Ele fazia parte da Plêiade de espíritos que vieram com Kardec para fazer a propagação. Escreveu belos romances que descrevem o Céu de forma romântica. Assim é que temos dele Sonhos Estelares, Narração do Infinito, Urânia , Stella, Deus na Natureza e outras obras.

Em Sonhos Estelares, temos os capítulos Um amor em pleno céu constelado, Viagem ao Céu, Dois corações que se correspondem à distância, A propósito do amor, Comunicação entre os mundos, dentre outros.

Isso explica por que Flammarion foi chamado de Poeta da Astronomia.

Discursando na sepultura de Allan Kardec, referiu-se a ele como O Bom Senso Encarnado’”.

Evangelho no Lar



Silmara diz:

“Voltando, contei para vovó sobre minha visita e falei de D. Ana e Alexandre com tanta euforia, que ela disse: ‘Convide-os para participar de nosso Evangelho no Lar’, e concluiu: ‘Como realizamos essa oração aos sábados à tarde, acredito que virão, pois nessa ocasião todos estão em descanso de tarefas’”.

Todo Lar Cristão sabe que Jesus, na casa de Simão Pedro, na velha e distante Palestina, realizou o primeiro Evangelho no Lar, com a participação dos discípulos e familiares do Apóstolo.

Humberto de Campos diz, na Boa Nova, que o enlevo daquele momento no Lar de Simão Pedro refletia-se na fisionomia de quantos ali estavam, na forma de alegria fraterna.

Segundo Bezerra de Menezes, o Evangelho no Lar edifica e ilumina a família.

Segundo André Luiz, quem cultiva o Evangelho em casa, faz de seu Lar um Templo do Cristo.

A querida Meimei diz: “O Evangelho, no Lar, torna-o um Oásis de Luz”. Aliás, Meimei assim o descreve:

“Suave, suavemente, belo jorro de luz desceu da amplidão, coroando de todo a casa singela.

Dir-se-ia que a construção fora atingida em segundos por fulgura cascata de raios luminescentes.

Inflamara-se o teto da áurea rutilante. As paredes coloridas por luminárias ocultas faziam-se transparentes, despedindo bonançosas centelhas.

De janelas e portas, fluíram de inesperado, caudais de bênçãos, qual se o ambiente interior estivesse inundado de nutriente energia.

Chamas blandiciosas, dissolviam as sombras, desabotoando prematura alvorada em meio às trevas noturnas.

Os insetos da noite ciciaram com mais brandura, cães das proximidades aplacaram ladridos e os habitantes de residências vizinhas experimentaram sem perceber a intangível presença da paz profunda.

Contudo, na intimidade doméstica acentuava-se deslumbrante, o painel festivo, qual se varinha mágica fizesse nascer de pessoas e coisas balsâmicas radiações de entendimento e simpatia.

Trajara a sala modesta de surpreendente grandeza, convertida em deleitoso remanso por banho lustral de amor puro que fixava sorrisos musicais de bondade em cada fisionomia.

Auréolas de esplendor tocaram os moradores, lágrimas de jubilosa esperança tremularam furtivas, em olhos alumiados de reconforto, rostos brilharam confiantes, impregnaram-se as frontes de lume tênue, palavras ressoaram mais ternas, tonificaram os corações em novos haustos de força e alcandorou-se a emoção as eminências desconhecidas, em transportes de irresistível candura.

Na esteira de luz em torno, transeuntes do Espaço espiraram felizes, enquanto não longe, menestréis da vida maior vocalizaram canções de BOM- ÂNIMO, para todo o grupo tocado de intenso brilho.

A transfiguração arrebatadora e imprevista era Jesus, o conviva Celeste em visita a casa humilde, pois instalara-se ali o CULTO SANTIFICANTE DO EVANGELHO NO LAR. ”

Bosque das águas

“Dado o interesse pelos processos de alimentação, visitamos o Bosque das Águas. Lá observamos coisas interessantes, ficamos sabendo que a água é quase tudo em uma estância de transição.

Chegamos ao bosque eu, Cecília, Alexandre e Marco Antônio. Deslumbrou-nos o panorama de belezas sublimes. O bosque em floração maravilhosa, embalsamava o vento fresco de inebriante perfume, tudo em prodígios de cores e luzes.

Entre margens bordadas de grama viçosa, toda esmaltada de azulinas flores, deslizava um rio. A corrente tranqüila, tão cristalina, parecia tonalizada de matiz celeste. Árvores frondosas, ofereciam sombra amiga. Bancos convidavam ao descanso.

Era uma das mais belas regiões da Colônia, própria para excursões dos namorados que aqui vêm tecer promessas de amor e felicidade, para experiência na Terra.

Alexandre, que conhecia o lugar, esclareceu, indicando um alto edifício: ‘É o grande reservatório da Colônia, onde toda a água é absorvida em caixas imensas de distribuição.

Conhecendo a água mais intimamente, sabemos que é veículo dos mais poderosos para os fluidos de qualquer natureza. Aqui ela tem outra densidade. Muito mais tênue, pura, quase fluídica.

É empregada como alimento e remédio. Na Colônia, o sistema de alimentação, tem aí as suas bases, cabendo aos Espíritos detentores do maior padrão de Espiritualidade superior, a magnetização geral das águas, a fim de que sirvam a todos com a pureza imprescindível, tanto no suprimento de substâncias alimentares, como na curativa.

A água, como fluido curador e alimentício, absorve em cada Lar as características mentais e de saúde de seus moradores. Será nociva em mãos perversas e útil em nas mãos generosas.

Quando em movimento, sua corrente não só espalhará bênçãos de vida, mas constituirá igualmente um veículo da Providência Divina, absorvendo amarguras, ódios e ansiedade dos homens, lavando-lhes a casa material e purificando-lhes a atmosfera íntima’.

Ficamos todos admirados dos conhecimentos de Alexandre, que nos convidou a sentarmos em bancos à sombra das árvores. Ali conversamos por mais algum tempo, absorvidos pela magnífica paisagem que o Bosque das Águas nos oferecia”.

Meninos de rua

Sabe-se que a Terra está em grande dificuldade quanto à organização de famílias Cristãs. Há tantas crianças sem pais que as possam educar com amor, tantos jovens que adquirem vícios porque não encontraram no Lar a proteção de pais, irmãos e avós...

Diz Ramatis, em seu livro Despertar da Consciência, que : “As atitudes dos homens, neste final de século, trazem para a sociedade em que vivem, inúmeros desajustes. Estão sofrendo, todo um núcleo familiar que se desmancha, sendo desastroso para crianças e jovens.

Os meninos de rua, nada mais são do que o produto de lares mal constituídos no momento atual. Às vezes, não chegam a ser lares. São agrupamentos de pessoas que não formam os laços de afeto, e esses espíritos precisam da assistência dos pais para a sua formação.

Vemos crianças gerando crianças, espíritos rebeldes que farão oposição ferrenha aos que estão, neste momento, também se reencarnando. Mas que será esta época?

Conturbada socialmente falando, um tanto sofrida, um tanto solitária. Os pais não existem nestes lares desfeitos, nesta sociedade em que todos estão sofrendo grandes abalos.

Como estará a família no próximo milênio? A princípio meio esfacelada, mas a lei da recomposição estará presente, proporcionando ao homem sua regeneração. A sociedade terá muito sofrimento ainda. O mal que atinge a um, atingirá a todos. Portanto, é preciso, o quanto antes, discutirem para se chegar a um ponto comum.

O homem terá que ocupar seu verdadeiro lugar.

E qual será seu verdadeiro lugar? De pais é claro, não só biológicos, mas de pais exemplares, pais esteio. Aqueles que guiam os espíritos que lhe foram confiados.

A família é o alicerce da sociedade, e quando ela está desfeita, o mundo agoniza e sofre. Os pais foram os primeiros a abandonar a guarda da família para alcance de bens materiais, e não se pode servir a dois Senhores. Isto está provado; não se pode deixar a família.

OS MENINOS DE RUA ESTÃO SEM LAR.

É preciso a estrutura familiar, para que a proteção e o amparo estejam presentes, pois só assim a saúde mental, o amor, acordará os sentimentos adormecidos, mas não mortos, na alma infantil, pois a criança sente a necessidade de amor.

E quando os pais sentirem a falta dos filhos, e os forem buscar nas ruas, todos retornarão unidos à caminhada em harmonia e caridade. A união leva os lares à harmonia de se esforçarem em alcançar LUZ, PAZ, E AMOR”.

Termina Ramatis, perguntando: “Você é responsável por sua família?”

Volta à Terra

Assim pensando e observando, os dois casais da Colônia, Silmara e Alexandre, Cecília e Marco Antônio, que já estavam enamorados, resolveram de bom alvitre pedir licença e ajuda da espiritualidade para regressarem em missão de proteção à criança no Orbe Terreno.

Como eram espíritos capacitados para realizar a importante tarefa, receberam toda a assistência necessária.

E como diz André Luiz :- "Quando o trabalhador está pronto, o serviço aparece".

E realmente os quatro amigos voltaram à Terra, mas não para o regato das lágrimas, e sim para o cumprimento de maravilhosa tarefa. Sim, viriam para a Seara de Jesus, contribuindo para que houvesse mais famílias cristãs no planeta Terra.

Poderiam, ainda, fundar creches e escolas, onde crianças seriam educadas e, por sua vez, conseguir, por meio do exemplo dos pais e professores, continuar no mesmo caminho cristão, socorrendo a outros pequeninos que para a Terra viriam encarnar.

Para tão bem aventurado acontecimento, houve na Colônia muito festejo e reuniões de congratulações especiais. Houve diversas reuniões de orações e reconforto aos casais que empreenderiam essa viagem de retorno à Terra.

"Louvado seja Deus nas Alturas e paz na Terra aos homens de Boa Vontade "

Noções de Lar


Embora esses espíritos tenham já muitos méritos e conhecimentos evangélicos e doutrinários, pois já são conhecedores e praticantes da doutrina espírita, não ficaram sem um curso preparatório sobre assuntos referentes à missão que iriam desempenhar.

Assim é que "Noções de Lar e Pontos Essenciais para os Cônjuges" foram apreciados antes do Evento Reencarnatório.

Noções de Lar é uma mensagem educativa de André Luiz, que descreve valores primordiais a serem observados e seguidos pelos nubentes. É um trabalho dos instrutores, no Ministério do Esclarecimento, aos interessados no assunto.

O orientador faz sentir que o Lar é como se fosse um ângulo reto, nas linhas do plano da evolução Divina

A reta vertical é o sentimento feminino, envolvido nas inspirações criadoras da vida.

A reta horizontal é o sentimento masculino em marcha de realizações no campo do progresso comum.

O lar é o sagrado VÉRTICE onde o homem e a mulher se encontram para entendimento indispensável. É o TEMPLO, onde as criaturas devem unir-se espiritualmente, antes que fisicamente.

Importa considerar que, a rigor, o Lar é conquista SUBLIME que os homens vão realizando vagarosamente. Onde, nas esferas do Globo, o verdadeiro instituto doméstico, baseado na harmonia justa, com os direitos e deveres legitimamente partilhados? A maioria dos casais terrestres passam as horas sagradas do dia vivendo a indiferença ou o egoísmo feroz.

Quando o marido permanece calmo, a mulher parece desesperada; quando a esposa se cala, humilde, o companheiro a tiraniza.

Nem a consorte se decide a animar o esposo, na linha horizontal de seus trabalhos temporais, nem o marido se resolve a segui-la no vôo Divino de ternura e sentimento, rumo aos planos superiores da Criação.

Dissimulam em sociedade e, na vida íntima, um faz viagens mentais de longa distância, quando o outro comenta o serviço que lhe seja peculiar.

Se a mulher fala dos filhos, o marido faz excursões através dos negócios; se o companheiro examina qualquer dificuldade do trabalho que lhe diz respeito, a mente da esposa volta-se para o salão da modista. É claro que em tais circunstâncias, o ângulo Divino não está devidamente traçado. Duas linhas divergentes tentam, em vão, formar o vértice sublime, a fim de constituir um degrau na escala grandiosa da vida eterna.

E então o homem e a mulher aprenderão no sofrimento e na dor. Por enquanto, raros reconhecem que o Lar é constituição essencialmente Divina, e que se deve viver, dentro de suas portas, com todo o coração e com toda a alma.

Enquanto as criaturas atravessam a florida região do noivado, procuram-se, mobilizando os máximos recursos do Espírito. E daí se dizer que todos são belos, quando estão verdadeiramente amando! O assunto mais trivial assume singular encanto. Mas logo que recebem as bênçãos nupciais, a maioria atravessa os véus do desejo e cai nos braços dos velhos monstros que tiranizam corações. Não há concessões recíprocas. Não há tolerância e, por vezes, nem mesmo fraternidade. E apaga-se a beleza luminosa do amor, quando os cônjuges perdem a camaradagem e o gosto de conversar. Daí em diante, os mais educados respeitam-se, os mais rudes mal se suportam. Não se entendem. Perguntas e respostas são formuladas em vocábulos breves. Por mais que se unam os corpos, as mentes estão separadas, operando em rumos diferentes e opostos.

Na fase atual evolutiva do Planeta, existem na esfera carnal raras uniões de almas afins e esmagadora percentagem de ligações de resgate.

As almas femininas não podem permanecer inativas aqui. É preciso aprender a ser mãe, esposa, missionária, irmã, enfermeira, professora, etc. A tarefa da mulher no Lar não pode circunscrever-se a umas tantas lágrimas de piedade ociosas e muitos anos de servidão.

Por outro lado, o homem deve aprender a carrear para o ambiente doméstico a riqueza de suas experiências, e a mulher precisa conduzir a doçura do Lar para os labores ásperos do homem.

Dentro de casa, a inspiração; fora dela, a atividade. Uma não viverá sem a outra. Como sustentar-se o rio sem a fonte, e como espalhar-se a água da fonte sem o leito do rio?

Pontos Essenciais para os Cônjuges


1- Reconhecer que o outro é um Espírito por si, com ideais e tendências diversas.

2- Em tempo algum abandonar o outro aos próprios deveres e lutas, sob o pretexto de que possui tarefas diferentes.

3- Socorrer o outro em suas esperanças, empenhando esforços e carinho para que as realize.

4- Afastar do outro quaisquer assuntos que venham a torturar-lhe a confiança recíproca.

5- Abolir o ciúme .

6- Aceitar a importância do problema sexual de um para o outro.

7- Entender que o amor inclui o respeito, a cortesia, a afabilidade e a discrição.

8- Fugir do relaxamento e do desperdício.

9- Adaptar-se ao nível econômico e social em que se encontram, embora cientes de que melhoria, através da existência correta, é obrigação.

10- Evitar rixas e discussões.

11- Nunca selar compromissos fora de casa sem ouvir primeiro a opinião do outro.

12- Tratar os filhos com equilíbrio, sem reduzi-los a condição de bonecos.

13- Não obrigar os filhos a estudos, linhas determinadas de trabalho, distrações ou hábitos, para os quais não sintam vocação.

14- Observar que os filhos precisam de educação, disciplina e bons exemplos, e não de castigos ou caprichos satisfeitos.

15- Não enganar os filhos, dando respostas ociosas às indagações que façam.

16- Manter entendimento e cooperação na solução das dificuldades que surjam nas famílias um do outro.

17- Jamais sacrificar a harmonia e a segurança do Lar, sob a desculpa de exigências religiosas ou sociais.

18- Amparar e respeitar as amizades do outro.

19- Não perder tempo com futilidade.

20- Compreender que o matrimônio é uma escola e que os cônjuges tudo precisam fazer no domínio possível para que não seja modificado o programa trazido à Terra por eles mesmos, na Lei da Reencarnação, alterando o plano de serviço, com separações reconhecidamente desnecessárias.

(ANDRÉ LUIZ)

Conclusão


As virtudes e os bons sentimentos dos personagens desta história romântica foi o que os possibilitou voltar à Terra, para um desiderato Cristão, isto é, fazer pelas crianças, que Jesus ama, o que ele, como Mestre, ensinou.

"Deixai vir a mim os pequeninos, pois deles é o Reino dos Céus!"

Reencarnaram, pois, no Brasil, cônscios de suas responsabilidades perante o prometido a Deus.

Tiveram filhos e, abraçando novamente a vocação de professores e psicólogos, ajudaram muitas crianças, fundando creches e escolas para que muitos pequeninos pudessem estudar e futuramente instruir outras crianças.

Foi tudo realizado com bondade e compreensão. Nada foi com sacrifício, porque sentiam alegria e satisfação em receber os filhos programados e os que lhes foram doados nas escolas, para serem assistidos na Educação e no amor fraterno.

É bem verdade que as alianças da espiritualidade maior estiveram presentes na vida dessas admiráveis criaturas. Mas é certo também que eles edificaram a Casa na Rocha da Fé Viva e da Boa Vontade, por isso conseguiram sair vitoriosos desse memorável empreendimento.

É assim que vieram espíritos como Anália Franco e outros. Conta-nos um instrutor espiritual que, somente a cada cem anos, apresenta-se na Terra um Pestalozzi, para o benefício da cultura e educação da infância e juventude. São os trabalhadores do Senhor de que fala o Evangelho. São os Obreiros que não medem esforços e Bom Ânimo em prol de tão admirável tarefa.

Não seria preciso dizer que o Céu rejubilou-se com esse evento. Hosanas foram cantadas nas sublimadas alturas esféricas. Graças a tão abnegados irmãos puderam ser salvas do monstro da ignorância e do mal muitas almas para a Seara do Mestre Jesus.

É assim o romance de Silmara e Alexandre, Cecília e Marco Antônio!